Rivalidade entre Polymarket e Kalshi: guerra nos mercados de previsões
Rivalidade Polymarket vs Kalshi: guerra nos mercados de previsões

Em novembro de 2024, Shayne Coplan, fundador da Polymarket, foi surpreendido por uma invasão do FBI em seu apartamento em Nova York, que buscava provas de apostas ilegais. Coplan atribuiu o ataque a motivações políticas do governo Biden, mas nos bastidores, ele e seus assessores apontaram um culpado diferente: Tarek Mansour, CEO da Kalshi, principal rival da Polymarket no crescente mercado de previsões.

Nos meses anteriores, advogados da Kalshi se reuniram com promotores federais em Manhattan para levantar preocupações sobre a Polymarket, detalhando como a plataforma funcionava e destacando que clientes nos EUA podiam usá-la, apesar de supostamente banida. Essa ação foi um dos momentos mais agressivos na rixa entre as duas startups, que disputam o domínio dos mercados de previsões — plataformas que oferecem apostas sobre esportes, política e cultura.

Origens da rivalidade

Coplan, de 28 anos, fundou a Polymarket em 2020, trabalhando de um apartamento em Manhattan. Mansour, de 30, ex-trader da Citadel e formado pelo MIT, fundou a Kalshi em 2018 com a brasileira Luana Lopes Lara. Ambos compartilham a visão de que os mercados de previsões transformarão finanças e mídia, mas suas abordagens divergem radicalmente.

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A Kalshi buscou licença da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) antes de operar, enquanto a Polymarket avançou sem autorização, sendo multada em US$ 1,4 milhão em janeiro de 2022 por operar plataforma não registrada. A Polymarket concordou em parar de aceitar apostas de clientes dos EUA, mas americanos ainda acessavam o site via VPNs.

Disputa regulatória e judicial

Sob o governo Biden, a CFTC proibiu apostas em eleições, levando a Kalshi a processar a agência em 2023. Em 2024, a Kalshi venceu a ação, abrindo caminho para mercados licenciados nos EUA. Enquanto isso, a Polymarket se tornou sensação mainstream, com cotações sobre a eleição presidencial de 2024 mostrando vantagem de Trump.

Em 2024, promotores do Distrito Sul de Nova York investigaram se a Polymarket violava a proibição a usuários americanos. Após a vitória de Trump, o FBI realizou a batida no apartamento de Coplan, apreendendo seus dispositivos. A Kalshi capitalizou o incidente: um funcionário orientou o ex-astro da NFL Antonio Brown a publicar no X que Coplan era "culpado", o que gerou pedidos de desculpas posteriores.

Estratégias e provocações

Mansour frequentemente critica a Polymarket como "ilegal" e "imoral", destacando que o site rival opera via uma entidade no Panamá. Coplan, por sua vez, chama a Kalshi de "imitação" e acredita que Mansour tenta sabotá-lo. A rivalidade se estende a parcerias: a Kalshi fechou acordo com o Madison Square Garden, enquanto a Polymarket havia explorado negócio semelhante.

Em julho de 2024, Coplan se encontrou com o bilionário Jeffrey Sprecher, da Intercontinental Exchange (dona da NYSE), que acabou investindo até US$ 2 bilhões na Polymarket. Mansour tentou dissuadir Sprecher, sem sucesso. A Polymarket também comprou a QCX por US$ 112 milhões para obter licença americana, permitindo lançar um aplicativo nos EUA.

Impacto e perspectivas

Nos primeiros seis meses de 2025, Kalshi e Polymarket movimentaram mais de US$ 150 bilhões em negociações, alta de 1.200%. A Kalshi foi avaliada em US$ 22 bilhões, ante US$ 15 bilhões da Polymarket. Em maio de 2025, a Kalshi processou mais de US$ 33 bilhões, o dobro da rival.

"É pura má vontade", disse Dustin Gouker, que escreve newsletter sobre mercados de previsões. "Virou algo pessoal." A rivalidade preocupa reguladores: ambas enfrentam ações de procuradores-gerais estaduais que consideram as ofertas esportivas como jogos de azar. A Polymarket também é investigada pela CFTC.

"Não sei quais são as leis do Panamá sobre uso de informação privilegiada em mercados de previsões", disse Mansour em conferência em abril. "Provavelmente inexistentes." A Polymarket afirma ter protocolos contra uso de informação privilegiada, com quase cem encaminhamentos às autoridades.

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