Produção industrial cai 1,8% em junho e frustra projeções
Produção industrial cai 1,8% em junho; frustra mercado

A produção industrial do Brasil registrou queda de 1,8% em junho na comparação com maio, frustrando as expectativas do mercado, que previa alta de 0,5%, segundo pesquisa da Reuters. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra um recuo mais forte do que o esperado, interrompendo dois meses consecutivos de crescimento.

Setores mais afetados

A queda foi puxada principalmente pela indústria de transformação, que recuou 2,1%, e pela indústria extrativa, que caiu 0,9%. Entre os destaques negativos estão os setores de veículos automotores, produtos alimentícios e máquinas e equipamentos. Por outro lado, a indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos registrou alta de 1,2%, e a de bebidas, avanço de 0,8%.

Na comparação com junho do ano passado, a produção industrial também caiu 0,9%, enquanto o mercado projetava alta de 1,2%. No acumulado do primeiro semestre, o setor acumula queda de 0,8%.

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Impacto na economia

O resultado negativo reforça a percepção de desaceleração da atividade econômica, mas especialistas alertam que a queda pontual não indica uma reversão de tendência. "A indústria ainda opera em um patamar elevado, mas a alta dos juros e a desaceleração global têm limitado o ritmo de expansão", avalia André Perfeito, economista-chefe da Monte Bravo.

A notícia chega em um momento de expectativa para a política monetária, com o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunindo para decidir sobre a taxa Selic. A queda da produção industrial pode reforçar argumentos para um corte de juros, mas o cenário ainda é incerto.

Reação do mercado

O mercado financeiro reagiu de forma mista ao dado. O Ibovespa operava em alta de 0,3% por volta das 11h, enquanto o dólar subia 0,2%. Para analistas, o número reforça a necessidade de estímulos, mas também levanta preocupações sobre o crescimento no segundo semestre.

"A produção industrial frustrou, mas não muda o cenário de juros. O Copom deve manter a Selic em 13,75% na reunião desta semana, mas o comunicado pode trazer sinais de flexibilização", comentou um estrategista de um banco nacional.

O IBGE também revisou os dados de maio, que passaram de alta de 0,3% para 0,2%. Com isso, o segundo trimestre encerrou com a indústria em território negativo, o que pode impactar o PIB do período.

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