O petróleo fechou acima de US$ 100 pela primeira vez desde maio, impulsionado por ataques a navios sauditas, elevando tensões geopolíticas no Oriente Médio. Enquanto isso, no Brasil, gestores de fundos alertam para riscos fiscais crescentes, com o governo Lula adotando uma postura de 'all in' fiscal, segundo Ivo Chermont, da Quantitas. A Verde Asset Management, por meio de Parreiras, projeta uma 'ressaca' em 2027 após a atual 'orgia fiscal'. Apesar disso, alguns gestores mantêm otimismo com o agronegócio brasileiro, afirmando que 'o Brasil vai ser o vencedor no final'. A Petrobras, por sua vez, vê uma 'década dos biocombustíveis' e reforça seus investimentos no setor.
Mercados e petróleo em alta
O barril de petróleo tipo Brent atingiu US$ 100,52 no fechamento, alta de 2,3%, após relatos de ataques a navios petroleiros sauditas no Mar Vermelho. O aumento reflete preocupações com a oferta global, especialmente em meio a cortes de produção da Opep+. A Arábia Saudita, maior exportadora mundial, não comentou oficialmente, mas fontes indicam que os ataques foram realizados por rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã.
Nos Estados Unidos, a secretária do Tesouro, Janet Yellen, alertou que o risco de dominância fiscal está crescendo, com a dívida pública americana ultrapassando US$ 35 trilhões. Yellen destacou que, embora a economia americana seja resiliente, o aumento dos juros pode pressionar o orçamento federal.
Brasil: risco fiscal e otimismo seletivo
No Brasil, o cenário fiscal é motivo de alerta entre gestores. Ivo Chermont, da Quantitas, avaliou que o governo Lula está indo para o 'all in' no fiscal, com aumento de gastos e subsídios. Ele destacou que a trajetória da dívida pública preocupa, especialmente com a Selic em 13,75% ao ano. Já Parreiras, da Verde Asset, afirmou que o Brasil terá uma 'ressaca' em 2027 após a atual 'orgia fiscal', referindo-se ao crescimento acelerado dos gastos públicos sem contrapartida de receitas.
Por outro lado, gestores do setor agropecuário mantêm otimismo. Em evento recente, um gestor afirmou: 'Brasil vai ser o vencedor no final', citando a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global. O setor agrícola brasileiro deve colher safras recordes, apesar de chuvas fortes ameaçarem as lavouras do Sul do país, segundo a LSEG.
Petrobras e a aposta em biocombustíveis
A Petrobras anunciou que vê uma 'década dos biocombustíveis' e reforçará investimentos no setor. A estatal planeja aumentar a produção de biodiesel e etanol, com foco em combustíveis sustentáveis para aviação (SAF). A empresa também estuda parcerias com usinas de cana-de-açúcar para expandir a capacidade de produção. O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, afirmou que a transição energética é uma prioridade, mas sem abandonar os combustíveis fósseis no curto prazo.
Mercado de ações e renda fixa
No mercado de ações, o Ibovespa interrompeu cinco quedas consecutivas com forte alta, impulsionado pelo avanço do petróleo e das commodities. A Vibra Energia e a Gerdau estão próximas das máximas históricas, e analistas avaliam se as ações ainda podem ganhar força. No mercado de renda fixa, as taxas de CDBs, LCIs e LCAs na XP estão atrativas com o dólar em alta. No entanto, o fim da isenção de IR para LCIs e LCAs a partir de 2026 pode reduzir a rentabilidade desses papéis, segundo especialistas.
Embraer e encomendas militares
A Embraer conquistou novas encomendas no Salão Aeronáutico de Farnborough, no Reino Unido, e vê espaço para ampliar sua produção militar. A empresa brasileira fechou contratos para a venda de aeronaves de transporte C-390 Millennium para países da Europa e Ásia. O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, destacou que a demanda por aviões militares está crescendo, e a empresa pretende aumentar a capacidade de produção para atender aos pedidos.
BCE e reservas mínimas
Na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que o conselho vai discutir o aumento das reservas mínimas dos bancos, como forma de controlar a liquidez e a inflação. A medida pode reduzir a oferta de crédito na zona do euro, mas Lagarde disse que a decisão será tomada com cautela.
Fiagro VGIA11 e FII RBVA11
No mercado de fundos imobiliários, o Fiagro VGIA11 desabou 25% após inadimplência de CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio). A gestora do fundo classificou a reação do mercado como 'irracional' e afirmou que está tomando medidas para recuperar os créditos. Já o FII RBVA11 está transformando agências bancárias em restaurantes, mercados e academias, gerando receitas com aluguel de espaços comerciais.
Doações de imóveis batem recorde
As doações de imóveis no Brasil bateram recorde no primeiro semestre de 2024, impulsionadas pela expectativa de aumento do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação). Especialistas explicam que a alta nos impostos estaduais levou muitos proprietários a antecipar doações para evitar custos maiores no futuro. O movimento foi mais intenso em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, onde as alíquotas podem chegar a 8%.
Passaporte brasileiro entre os mais fortes
O passaporte brasileiro se manteve entre os 20 mais fortes do mundo, segundo o índice Henley Passport Index. O documento brasileiro permite entrada sem visto em 170 países, empatado com Argentina e Chile. O Japão lidera o ranking, com acesso a 193 destinos.



