A B3, bolsa de valores brasileira, anunciou nesta quinta-feira (23) que lançará uma stablecoin lastreada em real e está desenvolvendo uma plataforma para tokenização de ativos financeiros. A iniciativa marca a entrada da B3 no mercado de criptomoedas e ativos digitais, com previsão de início das operações no primeiro trimestre de 2027.
Detalhes da stablecoin da B3
A stablecoin, chamada BRL3, será atrelada 1:1 ao real, com lastro em títulos públicos federais e operações compromissadas. A emissão será feita em parceria com a empresa de tecnologia blockchain Digital Assets, que já atua no mercado de criptoativos. Segundo o diretor de Novos Negócios da B3, João Pedro Nascimento, a stablecoin "oferecerá segurança e liquidez para transações no ecossistema digital, combinando a confiança da B3 com a eficiência da tecnologia blockchain".
Tokenização de ativos financeiros
Além da stablecoin, a B3 prepara uma plataforma de tokenização que permitirá a representação digital de ativos como títulos de renda fixa, imóveis e commodities. A expectativa é que a tokenização reduza custos de intermediação e aumente a transparência das operações. O projeto está em fase de testes regulatórios com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central. A B3 estima que o mercado de tokenização pode movimentar R$ 50 bilhões nos primeiros três anos de operação.
Impacto no mercado financeiro
A entrada da B3 no mercado de criptomoedas deve aumentar a concorrência com exchanges como Mercado Bitcoin e Binance, além de pressionar por maior regulação do setor. Especialistas apontam que a iniciativa pode atrair investidores institucionais que antes evitavam criptoativos devido à falta de garantias. O presidente da B3, Gilson Finkelsztain, afirmou que "a tokenização é o futuro do mercado de capitais e a B3 quer liderar essa transformação".
Próximos passos
A B3 ainda não definiu a data exata de lançamento, mas pretende realizar testes com investidores qualificados a partir de outubro de 2026. A stablecoin BRL3 será inicialmente disponibilizada para negociação em plataformas parceiras, com planos de listagem na própria bolsa posteriormente. A empresa também estuda a criação de um marketplace para ativos tokenizados, com foco em pequenos investidores.



