O preço do petróleo Brent subiu acima de US$ 87 por barril nesta quarta-feira, 29 de julho, reagindo à escalada de confrontos no Oriente Médio. O avanço de 3,48% interrompeu parcialmente uma queda de 16% registrada nas três sessões anteriores – o maior declínio desde 2020. O West Texas Intermediate (WTI) também subiu 3,34%, para US$ 81,91 o barril.
Ataques do Irã e resposta dos EUA
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) atacou uma base aérea e um centro de comando dos Estados Unidos na Jordânia com mísseis balísticos, segundo a agência estatal IRIB. A Guarda também afirmou ter atingido e imobilizado três aviões-tanque, sem especificar os locais. Em resposta, o Comando Central dos EUA informou ter interceptado um ataque 'surpresa' do Irã contra tropas americanas, sem fornecer mais detalhes. Além disso, forças dos EUA e da Arábia Saudita realizaram operações conjuntas contra 'terroristas alinhados ao Irã' no Iraque, após ordens da IRGC para alvejar alvos americanos e infraestrutura energética saudita. Riade confirmou a ação, classificando-a como 'direito de autodefesa', conforme a agência estatal SPA.
Volatilidade e riscos geopolíticos
O petróleo apresentou forte volatilidade em julho, oscilando em uma faixa de quase US$ 32 por barril. Na semana anterior, os preços ultrapassaram os US$ 100 com a retomada das hostilidades entre EUA e Irã e a abertura de uma nova frente de conflito pelos houthis no Mar Vermelho, recuando bruscamente com a diminuição das tensões. Os investidores monitoram de perto as iniciativas diplomáticas e os sinais de que o fluxo por pontos de estrangulamento, como o Estreito de Ormuz, permanece comprometido.
Analistas do RBC Capital Markets LLC, incluindo Helima Croft, expressaram ceticismo: 'Continuamos extremamente céticos de que estejamos à beira de um grande avanço diplomático que resolva o impasse nuclear que deu início à guerra'. Eles acrescentaram: 'A ameaça constante de mísseis, minas, drones e pedágios em Teerã manterá uma parcela significativa do mercado de transporte marítimo à margem'.
Estreito de Ormuz sob tensão
No Estreito de Ormuz, o Irã rejeitou a proposta de Omã para uma rota compartilhada, com 50% sob controle de cada país. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, declarou à televisão estatal que a passagem de entrada deve estar inteiramente sob controle iraniano, juntamente com parte do canal de saída. A IRGC justificou os ataques a petroleiros afirmando que as embarcações navegavam por 'rota insegura e ilegal'.
O cenário reforça a percepção de que o risco geopolítico na região produtora de petróleo continua elevado, com potencial para novas interrupções no fornecimento e impacto nos preços globais.



