O preço do petróleo Brent atingiu US$ 91 por barril nesta quarta-feira, o maior valor desde outubro de 2014, acendendo um alerta no mercado financeiro global sobre um possível novo choque de oferta. A alta de 2,3% no dia foi impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e cortes de produção da Opep+.
Fatores por trás da alta
Segundo analistas do Goldman Sachs, a combinação de sanções dos EUA contra o Irã e a decisão da Arábia Saudita de reduzir voluntariamente sua produção em 1 milhão de barris por dia até março criou um aperto na oferta global. "Estamos vendo o mercado mais apertado desde o pós-guerra do Golfo", afirmou o chefe de pesquisa de commodities do banco, Jeff Currie.
Impacto na inflação
A alta do petróleo já se reflete nos preços dos combustíveis no Brasil. A Petrobras elevou o diesel em 8% e a gasolina em 5% nas refinarias na última semana. Economistas do Itaú Unibanco estimam que cada alta de US$ 10 no barril adiciona 0,4 ponto percentual ao IPCA. "O risco de desancoragem das expectativas de inflação aumentou significativamente", disse o economista-chefe do banco, Mario Mesquita.
Reação do mercado
Na Bolsa de Valores, as ações da Petrobras (PETR4) subiram 3,5%, enquanto o Ibovespa caiu 0,8%, pressionado por temores de inflação e juros mais altos. O dólar comercial avançou 1,2%, cotado a R$ 5,10. O Ministério da Fazenda monitora a situação, mas descarta intervenção no curto prazo. "O governo está atento, mas acredita que o mercado se ajusta", disse uma fonte da pasta.



