Tentativa de sequestro em maternidade: polícia ouve 11 pessoas
Tentativa de sequestro em maternidade: 11 ouvidos pela polícia

A Polícia Civil do Piauí investiga se a técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha, presa após tentar retirar uma recém-nascida da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina, agiu sozinha ou contou com ajuda. Nesta segunda-feira (13), mais cinco pessoas foram ouvidas, totalizando 11 depoimentos colhidos até o momento. O inquérito é conduzido pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Segundo a polícia, ainda não há previsão para a conclusão das investigações.

Principal linha de investigação

A principal linha de investigação é esclarecer se houve participação de terceiros no planejamento ou na execução da tentativa de sequestro. Até o momento, essa hipótese não foi confirmada. No domingo (12), o Fantástico exibiu imagens das câmeras de segurança que mostram Auricélia circulando pela maternidade e colocando a recém-nascida dentro de uma bolsa. Segundo a investigação, ela só não conseguiu deixar o hospital porque a tia da bebê desconfiou e encontrou a criança dentro da bolsa, impedindo a fuga.

Samu nega vínculo empregatício

Também nesta segunda-feira, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Teresina informou que Auricélia nunca integrou o quadro de profissionais da instituição. A nota foi divulgada após a circulação de fotografias em que a técnica aparece usando farda do Samu. Segundo o órgão, as imagens foram feitas durante a cerimônia de formatura dela e não representam qualquer vínculo empregatício.

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Defesa alega transtorno psicótico

A defesa de Auricélia informou em nota que pretende solicitar à Justiça a revogação da prisão preventiva e, se necessário, impetrar habeas corpus no Tribunal de Justiça do Piauí. Os advogados afirmam que a investigada foi diagnosticada com transtorno psicótico agudo polimorfo com sintomas esquizofrênicos e que apresenta comprometimento da compreensão sobre os fatos. Segundo a defesa, ela faz uso de medicamentos psiquiátricos e deve receber tratamento adequado.

Polícia não confirma doença mental

Em manifestações anteriores, o delegado responsável pelo caso afirmou que, até o momento, a investigação não trabalha com a hipótese de doença mental capaz de afastar a responsabilidade penal da investigada. Para a polícia, Auricélia agiu sozinha.

Relato da tia da recém-nascida

À Rede Clube, a tia da recém-nascida, Daniela Beatriz, contou que encontrou a sobrinha dentro da bolsa da suspeita, com o zíper semiaberto. Em vídeos, ela relatou que estava acompanhando a irmã após o parto e que foi abordada por uma mulher vestida como as outras enfermeiras da maternidade. A mulher teria se oferecido para facilitar a realização dos testes da orelhinha e do pezinho, essenciais para que a bebê recebesse alta médica. Daniela disse ter sido orientada a ir para uma sala em outro andar para a realização dos testes. "Ela disse: 'Olha, eu vou entrar aqui, mas você tem que ficar aí fora, pois não podem te ver aqui. Sente ali no banquinho que eu já venho com ela'. Ela já estava com essa bolsa grande de lado e preta. Eu dei a neném pra ela, mas já sentindo uma coisa ruim", completou a mulher. Ainda segundo a tia, a mulher teria saído da sala com uma bolsa grande, aparentemente sem a criança, e seguido em direção ao banheiro. No local, a tia disse ter a abordado e flagrado a bebê na bolsa. "Quando vi ela já estava saindo com a bolsa na frente, com uma roupa completamente diferente, cabelo solto e óculos, mas já dava pra perceber que ela estava com cuidado. Eu puxei a bolsa e vi a neném, bem quietinha", disse Daniela. Daniela afirmou também que pediu o acionamento da polícia após perceber a situação, mas que, segundo ela, apenas os seguranças da maternidade atuaram naquele momento.

Quarto preparado para bebê

Na casa da técnica de enfermagem, a polícia encontrou um quarto montado para receber um bebê. Segundo o delegado Hugo Alcântara, havia fraldas, roupas, banheira e berço. Os investigadores também afirmam que parentes acreditavam que Auricélia estava grávida, embora ela não tivesse apresentado exames que comprovassem a gestação. Em depoimento, a técnica de enfermagem preferiu permanecer em silêncio.

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Nota da defesa

Desde o início, a defesa manifesta profundo respeito à família da recém-nascida, aos profissionais da Maternidade Dona Evangelina Rosa e ao trabalho das autoridades. Entretanto, destaca a condição de saúde mental da investigada. Após os acontecimentos, Auricélia foi submetida à avaliação por equipe especializada do Hospital Areolino de Abreu, referência em psiquiatria no Piauí, tendo recebido o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), permanecendo em observação e recebendo alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico. A defesa juntou aos autos documentos que demonstram que ela fazia uso de medicação psiquiátrica. No atual estado clínico, Auricélia apresenta importante comprometimento de sua compreensão acerca da realidade, demonstrando dificuldade para entender a gravidade dos fatos e a própria situação processual. A defesa informa que protocolará pedido de revogação da prisão preventiva e, caso necessário, impetrará habeas corpus perante o Tribunal de Justiça do Piauí, sustentando que a manutenção da custódia cautelar deve ser reavaliada à luz dos documentos médicos. A defesa reafirma confiança nas instituições, no Ministério Público e no Poder Judiciário.