A agência de classificação de risco Moody's elevou a nota de crédito soberano da Argentina, saindo de 'Ca' para 'Caa3', com perspectiva estável. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (22) e representa um impulso significativo para os planos econômicos do presidente Javier Milei.
Motivos da elevação
Segundo a Moody's, a melhora reflete os avanços na consolidação fiscal e no acúmulo de reservas internacionais promovidos pelo governo Milei. A agência destacou que as medidas de ajuste fiscal e a desvalorização cambial controlada têm contribuído para reduzir desequilíbrios macroeconômicos.
“A elevação da nota reflete o progresso na implementação de políticas que visam estabilizar a economia argentina”, afirmou a Moody's em comunicado. A agência também observou que a perspectiva estável indica que os riscos estão equilibrados, com possibilidade de novas melhorias se as reformas continuarem.
Impacto nos mercados
A notícia foi bem recebida pelos mercados financeiros. O risco-país argentino caiu para cerca de 1.200 pontos, menor nível desde 2019. Os títulos soberanos da Argentina registraram alta, com os bônus com vencimento em 2030 subindo 2,5%.
Analistas apontam que a melhora na classificação de risco pode facilitar o acesso da Argentina a financiamentos externos e reduzir custos de captação. “Isso abre portas para que o país retorne gradualmente aos mercados internacionais de crédito”, comentou um analista do Banco Santander.
Desafios pela frente
Apesar do avanço, a Argentina ainda enfrenta desafios significativos. A inflação anual supera 200%, e as reservas líquidas do Banco Central continuam negativas. O governo Milei precisa manter o ritmo de ajuste fiscal e controlar a inflação para sustentar a melhora na percepção de risco.
A Moody's alertou que a nota ainda é considerada altamente especulativa, e que a Argentina precisa de reformas estruturais de longo prazo para garantir a estabilidade econômica. O próximo passo seria uma elevação para a categoria 'B', o que exigiria crescimento econômico sustentado e redução da inflação.



