O Irã declarou nesta quarta-feira que nenhum país conseguirá vender petróleo na região do Golfo Pérsico se o próprio Irã for impedido de exportar seu petróleo. A afirmação foi feita pelo comandante da Marinha iraniana, contra-almirante Hossein Khanzadi, em resposta às crescentes sanções dos Estados Unidos contra o setor petrolífero iraniano.
Ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz
Khanzadi afirmou que o Irã está preparado para fechar o Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo. "Se eles querem impedir que vendamos nosso petróleo, ninguém venderá petróleo na região", disse o comandante, citado pela agência de notícias estatal iraniana IRNA.
A ameaça ocorre em meio à escalada de tensões entre Teerã e Washington. Os EUA retomaram sanções contra o Irã após sair do acordo nuclear de 2015, e a administração Trump busca reduzir a zero as exportações de petróleo iraniano até novembro deste ano.
Resposta iraniana às sanções dos EUA
O governo iraniano já havia ameaçado anteriormente interromper o tráfego no Estreito de Ormuz em retaliação a sanções que afetem suas exportações de petróleo. O estreito, com apenas 33 quilômetros de largura no ponto mais estreito, é vital para o fornecimento global de energia, pois conecta os produtores do Golfo Pérsico aos mercados mundiais.
Segundo dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), cerca de 18,5 milhões de barris de petróleo passam diariamente pelo Estreito de Ormuz, representando aproximadamente 30% do petróleo bruto comercializado por via marítima.
Reação internacional e riscos econômicos
A possibilidade de fechamento do estreito preocupa os mercados globais. O preço do petróleo Brent subiu mais de 2% após as declarações iranianas, atingindo US$ 79,50 o barril. Analistas alertam que um bloqueio poderia causar um choque de oferta e elevar os preços do petróleo a níveis não vistos desde 2014.
Os EUA, por sua vez, afirmam que garantirão a liberdade de navegação no Golfo Pérsico. O Pentágono informou que mantém presença naval na região para assegurar o fluxo de petróleo. "Não permitiremos que o Irã interfira no comércio internacional", declarou um porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA.
Contexto das sanções e tensões regionais
Desde que os EUA abandonaram o acordo nuclear (JCPOA) em maio de 2018, o governo Trump impôs duas rodadas de sanções ao Irã, visando principalmente os setores bancário e petrolífero. As sanções já reduziram as exportações iranianas de petróleo de cerca de 2,5 milhões de barris por dia para menos de 1 milhão.
O Irã busca apoio de outros países, como China e Rússia, para contornar as sanções. No entanto, a pressão americana tem dificultado as transações financeiras e o comércio de petróleo iraniano.
A situação permanece tensa, com o Irã realizando exercícios militares no Golfo Pérsico e os EUA reforçando sua presença na região. Analistas temem que um incidente possa levar a um confronto direto, com consequências imprevisíveis para a economia global e a segurança energética.



