A inflação na Venezuela mais que dobrou de maio para junho de 2026, atingindo 54,4% no mês, conforme dados divulgados pelo Banco Central do país. O índice acumulado nos últimos 12 meses chegou a 544 pontos percentuais, aprofundando a crise econômica que já dura anos.
Dados oficiais mostram aceleração
De acordo com o BC venezuelano, a inflação de maio havia sido de 24,5%. O salto para 54,4% em junho representa um aumento de mais de 120% em apenas um mês. A taxa anualizada de 544% é uma das mais altas do mundo, superando países como Zimbábue e Sudão.
O governo de Nicolás Maduro atribui a aceleração a fatores externos, como sanções internacionais e queda nos preços do petróleo. No entanto, economistas independentes apontam a emissão descontrolada de moeda e a perda de confiança no bolívar como causas principais.
Impacto na população
A inflação descontrolada corrói o poder de compra dos venezuelanos. O salário mínimo, reajustado recentemente para o equivalente a US$ 5 mensais, não cobre nem 10% da cesta básica. A escassez de alimentos e medicamentos se agravou, e a população recorre cada vez mais ao dólar paralelo para transações.
Segundo a pesquisadora María Isabel Rodríguez, da Universidade Central da Venezuela, “a hiperinflação destrói o tecido social e força milhões a emigrar. Sem uma reforma monetária profunda, a tendência é de piora”.
Perspectivas econômicas
O Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a inflação venezuelana feche 2026 em 680%. O país vive o sexto ano consecutivo de recessão, com queda acumulada do PIB de mais de 80% desde 2013. A produção de petróleo, principal fonte de divisas, está em 400 mil barris por dia, menos de 10% do pico histórico.
Especialistas veem poucas chances de controle inflacionário no curto prazo. O governo mantém o controle de capitais e tabelamento de preços, medidas que historicamente agravam a escassez. A dolarização informal avança, mas o BC insiste em defender o bolívar.



