O governo Lula revisou para cima a previsão de inflação para 2026, de 4,5% para 5,1%, superando o teto da meta de 4,5%. O Boletim Macrofiscal da Secretaria de Políticas Econômicas (SPE) do Ministério da Fazenda, divulgado nesta quarta-feira (15), aponta que os principais fatores para o aumento são os choques nos preços do petróleo, derivados do conflito no Oriente Médio, e o fenômeno climático El Niño, que pode impactar a safra e os preços dos alimentos.
Detalhes da revisão
O documento, que traz as projeções macroeconômicas oficiais, indica que a inflação medida pelo IPCA deve encerrar 2026 em 5,1%, acima do teto da meta de 4,5% e do centro de 3,5%. Para 2025, a projeção foi mantida em 4,8%, também acima do teto. A SPE justifica que o aumento reflete a alta do petróleo e seus derivados, impulsionada pelo agravamento do conflito no Oriente Médio, e os efeitos do El Niño sobre a produção agrícola e os alimentos.
Impactos econômicos
Além da inflação, o boletim também revisou a projeção do PIB para 2026, que deve crescer 2,3%, ligeiramente abaixo da estimativa anterior de 2,5%. Para 2025, a previsão de crescimento permanece em 2,2%. O governo espera que a inflação convirja para o centro da meta de 3% a partir de 2027, com a adoção de medidas de política econômica e o arrefecimento dos choques externos.
Contexto e perspectivas
A revisão ocorre em meio a um cenário global de incertezas, com a guerra no Oriente Médio elevando os custos de energia e o El Niño afetando safras em diversas regiões. O governo Lula tem adotado medidas para conter a alta dos preços, como a redução de impostos sobre combustíveis e a ampliação de subsídios para alimentos, mas os efeitos ainda são limitados. A SPE ressalta que a política monetária do Banco Central, com a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, deve ajudar a ancorar as expectativas de inflação no médio prazo.



