Guerra eleva frete marítimo em 40% e pressiona varejo brasileiro
Guerra eleva frete marítimo em 40% e pressiona varejo

O impacto da guerra no Leste Europeu já se faz sentir no bolso do consumidor brasileiro. Dados da plataforma Freightos indicam que o custo médio de um contêiner da China para o Brasil saltou de US$ 2.500 para US$ 3.500 em três meses, um aumento de 40%. A elevação dos fretes marítimos, impulsionada por sanções, rotas alternativas e alta do seguro, começa a pressionar o varejo nacional, que depende de insumos e produtos importados.

Razões por trás do aumento

O conflito na Ucrânia interrompeu rotas tradicionais no Mar Negro e no Mediterrâneo, forçando navios a percorrer trajetos mais longos, como o contorno da África. Além disso, o preço do combustível naval subiu 25% desde o início da guerra, segundo a Agência Internacional de Energia. O seguro de cargas também disparou, com prêmios até três vezes maiores para zonas de risco. Esses custos são repassados diretamente ao frete.

Segundo o economista João Paulo de Almeida, do Ibre/FGV, “o repasse para o varejo é inevitável, mas a intensidade depende da capacidade de negociação das empresas e do estoque disponível”. Ele estima que setores como eletrônicos, brinquedos e têxteis serão os mais afetados, já que têm alta parcela de componentes importados.

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Impacto no varejo

Grandes redes varejistas já relatam dificuldades. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) informou que os preços de itens importados, como vinhos e eletrodomésticos, subiram entre 8% e 12% nas últimas semanas. “Estamos renegociando contratos, mas a margem está cada vez mais apertada”, afirmou o presidente da Abras, João Galassi. Ele destacou que a alta do frete pode levar a um repasse adicional de 5% a 10% ao consumidor nos próximos meses.

Pequenos e médios varejistas são os mais vulneráveis, pois têm menor poder de barganha com transportadoras e fornecedores. Muitos já buscam alternativas, como a compra em consórcio ou a substituição de produtos chineses por similares nacionais ou de outros mercados, como o Mercosul.

Perspectivas para o consumidor

A inflação de custos logísticos deve impactar o IPCA nos próximos trimestres. O Banco Central já sinalizou que monitora a situação, mas a política monetária tem pouco efeito sobre choques de oferta. “A guerra adiciona um componente inflacionário que foge ao controle da autoridade monetária”, afirmou o economista-chefe de uma gestora de recursos, que preferiu não se identificar.

Enquanto o conflito persiste, a tendência é de continuidade dos fretes elevados. Analistas do setor marítimo preveem que a normalização só ocorrerá após um cessar-fogo duradouro, o que parece distante. Até lá, o varejo brasileiro terá que conviver com custos maiores e margens mais enxutas, com reflexos diretos no bolso do consumidor.

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