Um mês após o acordo de cessar-fogo, os Estados Unidos bombardearam o Irã pelo sétimo dia consecutivo, enquanto Teerã lançou novos ataques contra aliados de Washington no Golfo neste sábado (18). Os confrontos se intensificaram uma semana após o rompimento da trégua, elevando os preços do petróleo ao maior nível desde abril.
Irã ataca bases dos EUA no Kuwait e Bahrein
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter atacado um centro de apoio militar dos EUA no Campo Arifjan e destruído uma instalação de radar na Base Aérea de Ali Al Salem, ambas no Kuwait. Segundo a mídia estatal iraniana, a IRGC também alvejou a Base Aérea de Sheikh Isa, no Bahrein, onde estariam concentradas aeronaves de combate americanas, além de um centro de dados de inteligência. A TV estatal iraniana ainda declarou que a Guarda Revolucionária destruiu ao menos dois caças americanos e outras três aeronaves durante um ataque com mísseis e drones contra a base americana de Al Azraq, na Jordânia, na madrugada deste sábado. A Reuters não conseguiu verificar essas informações.
Kuwait sob ataques contínuos
O Kuwait foi alvo de ataques contínuos. Uma usina de dessalinização foi atingida, e as operações no Aeroporto Internacional do Kuwait foram suspensas devido a sucessivas ameaças de mísseis e drones. O Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis do país confirmou que uma usina de geração de energia e dessalinização foi atingida em um ataque iraniano, o segundo em dois dias.
Petróleo dispara e pressiona Trump
Os preços do petróleo subiram mais de 4% na sexta-feira, atingindo o maior nível em mais de um mês, aumentando a pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto o Partido Republicano tenta manter sua maioria nas eleições legislativas de novembro. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo, tornou-se um ponto crítico, com os EUA impondo um bloqueio naval e o Irã atacando embarcações que violam suas regras de navegação.
Infraestrutura civil atacada
A infraestrutura civil passou a ser alvo com maior frequência. A imprensa iraniana informou que vários mísseis atingiram instalações de energia e unidades de dessalinização na cidade de Jask, no sul do país, deixando cerca de 10 mil pessoas em 20 vilarejos sem abastecimento de água, segundo a agência Tasnim. No Irã, três pessoas morreram e oito ficaram feridas em ataques na província de Hormozgan, às margens do Estreito de Ormuz. Duas pontes e um túnel rodoviário também foram danificados. Na sexta-feira, ataques dos EUA atingiram pelo menos cinco pontes no sul do país, com sete mortes no porto de Bandar Khamir, onde uma estação ferroviária também foi atingida.
ONU preocupada com escalada
O secretário-geral da ONU, António Guterres, manifestou preocupação com a escalada do conflito, especialmente com os 'ataques à infraestrutura civil no Irã e em toda a região', afirmou seu porta-voz na sexta-feira. A Guarda Revolucionária, em comunicado, justificou os ataques citando o Alcorão: 'Quem vos atacar, atacai-o da mesma maneira', e alertou que aliados dos EUA na região devem esperar novos ataques.
Risco de guerra em larga escala
Washington e Teerã vêm testando os limites da escalada desde o colapso do acordo de cessar-fogo na semana passada, aumentando o risco de um retorno à guerra em larga escala. Trump ameaçou lançar ataques aéreos em larga escala contra a infraestrutura iraniana e não descartou uma ofensiva terrestre. Autoridades americanas disseram que os ataques ao sul do Irã têm o objetivo de ampliar as opções militares. Essas ações aumentam o risco de o Irã retaliar contra infraestruturas estratégicas de países do Golfo ou de aliados iranianos no Iêmen ampliarem os ataques a embarcações no Mar Vermelho, provocando novas interrupções no fornecimento global de energia.



