A Polícia Civil confirmou na manhã deste sábado (18) que o corpo feminino encontrado em uma área de mata em Angra dos Reis (RJ) é da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, desaparecida desde o fim de junho em Ubatuba (SP). A identificação foi feita pelo filho da vítima ainda na noite de sexta-feira (17), segundo o delegado André Luiz Matera Costilhas, responsável pelas investigações. O corpo está no Instituto Médico Legal (IML) para exames complementares.
Localização do corpo e operação de resgate
O corpo foi localizado na tarde de sexta-feira (17) em uma área de mata na localidade de Serra d'Água, às margens da Estrada de Lídice. A retirada mobilizou equipes da Polícia Civil de São Paulo, do Grupo de Pronta Resposta do 3º Batalhão de Ações Especiais (3º BAEP) e do Corpo de Bombeiros, pois o cadáver estava em um trecho de difícil acesso, preso a uma árvore em uma área íngreme.
Até então, a principal linha de investigação era de que o corpo fosse o de Berenice, já que o local da descoberta ficava dentro da área delimitada pelos investigadores a partir do trajeto percorrido pela caminhonete da patroa da cozinheira, Eliane Alves dos Santos, de 46 anos. A empresária está presa temporariamente e é investigada por suspeita de homicídio. Segundo apuração do repórter João Mota, da Rede Vanguarda, ela deve ser ouvida novamente no começo da próxima semana, em Caraguatatuba, como parte da continuidade das investigações.
Vestígios de sangue na caminhonete
A investigação ganhou novos elementos após a polícia confirmar a presença de vestígios de sangue na caminhonete de Eliane. Com o apontamento feito por cães farejadores, os peritos utilizaram luminol no veículo e constataram a presença de sangue, com maior concentração no banco do carona. O luminol é um reagente químico que detecta vestígios de sangue invisíveis a olho nu, produzindo um brilho azul fluorescente quando borrifado. Ambos os laudos da Polícia ainda não foram finalizados; a expectativa é que sejam concluídos nos próximos dias.
Áudio do filho revela cobranças
Durante a semana, um áudio do filho de Berenice, José Carlos de Faria, cobrando explicações da patroa foi divulgado. Na gravação, obtida pela Rede Vanguarda e que não faz parte da investigação policial, o filho pede que a empregadora conte exatamente o que aconteceu no dia em que a mãe deixou o restaurante onde trabalhava. No diálogo, José Carlos pergunta: "O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu." A patroa responde: "Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá." O filho insiste: "Mas, o que houve? Aconteceu alguma coisa? Vocês discutiram? Aconteceu alguma coisa mais séria? Abre o jogo. Eu queria entender, na realidade, o que aconteceu de fato, porque estamos preocupados. Acionei a polícia."
Em resposta, a patroa diz que não sabia que Berenice tinha um filho e se oferece para mostrar onde ela ficava. Afirma também que a cozinheira levou tudo do local. Ao longo da conversa, o filho relata a angústia da família por não conseguir contato com Berenice desde o desaparecimento: "É muito estranho. Se ela tivesse perdido o celular ou acontecido alguma coisa, ela pediria para alguém mandar mensagem para avisar. Até agora a gente não tem sinal dela. Desde terça-feira", diz.
Investigação aponta contradições
O áudio foi gravado no início das buscas, antes dos desdobramentos que levaram à prisão temporária da patroa. A Polícia Civil investiga a empresária por suspeita de homicídio e aponta contradições entre a versão apresentada por ela e as evidências reunidas. Na terça-feira (14), o g1 mostrou que imagens de câmeras de segurança e registros de radares reforçam as inconsistências. Em um primeiro momento, Eliane afirmou que deixou Berenice no bairro Toninhas. Depois, disse que a cozinheira desembarcou no trevo de Ubatumirim e seguiria sozinha para o bairro. À polícia, também declarou que voltou para casa após a carona. No entanto, imagens mostram que a caminhonete passou pela Estrada do Pasto Grande e seguiu em direção a Paraty (RJ), contrariando o depoimento.
Cumprimento de mandados e apreensões
Durante o cumprimento de mandados, o veículo foi encontrado com marcas de reparos compatíveis com danos provocados por disparos de arma de fogo. A polícia também apreendeu três armas registradas e dois celulares na casa da suspeita. A defesa da patroa foi procurada, mas disse que só irá se manifestar após ter acesso ao processo.



