O Brasil é o país onde escândalos atropelam escândalos. Ainda atordoados pelo caso sem fim do Banco Master, que nos mostrou que os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, quando lhes convém, falam a mesma língua, no mesmo tom e na mesma velocidade, somos agora apresentados ao caso do Banco Digimais, investigado pela Polícia Federal. Os principais envolvidos? Edir Macedo, ex-diretores do Banco Master e, ao que tudo indica, mais uma dose generosa da velha leniência de Brasília, esta máquina extraordinária de permitir que a picaretagem se entranhe até mesmo em instituições já superprotegidas, como igrejas que gozam de benefícios fiscais diversos e, em alguns casos, parecem operar com a desenvoltura de verdadeiras instituições financeiras.
Senador Jaques Wagner e a busca e apreensão
Uma vez que se declara inocente de todas as acusações que pesam contra si, causou surpresa o senador Jaques Wagner, líder do governo, ter apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) um recurso para anular a decisão que autorizou a operação de busca e apreensão que o teve como alvo na semana passada. Afinal das contas, quem nada deve nada teme.
Críticas ao governo Lula e a Polícia Federal
Por maiores críticas que o governo Lula possa receber, com certeza duas coisas não devem ser desconsideradas: a tentativa de ao menos conversar sem subserviência com uma figura como o atual presidente dos Estados Unidos, capaz de humilhar quem mais o bajula; e a não interferência nos trabalhos da Polícia Federal. Talvez outro governo tentasse atrapalhar as investigações, mas até o momento tudo o que se sabe do caso Master não aponta que tenha ocorrido a “operação abafa” ou a tentativa de salvar Daniel Vorcaro das próprias vigarices.
Geopolítica e a 'paz' de Trump
A recente aprovação, pelo Congresso dos Estados Unidos, de uma resolução para impedir Donald Trump de fazer novos ataques ao Irã sem aprovação prévia do Parlamento mostra que até os americanos não confiam no desejo de Trump pela paz no Oriente Médio. Ele mesmo já avisou que tal acordo “não é final” e ameaçou: “Se eu não gostar, voltaremos a jogar bombas”. Seu desprezo pela paz mundial fica evidente nas interferências em eleições como a da Argentina, a de Honduras, da Colômbia e, agora, do Brasil, eis que na cúpula do G-7 Trump disse que o Brasil se tornou “politicamente perigoso” (para quem?). Com um presidente assim, todo cuidado é pouco.
Transporte ferroviário: oportunidade perdida
“Let the train take the strain”, frase bem conhecido em inglês, que significa “deixe que o trem cuide de todo”. O editorial Um prêmio à truculência (Estadão, 24/6, A3) me fez lembrar de uma cena que presenciei na semana passada numa estação ferroviária na Espanha. Em determinado momento, passou ali um trem de carga puxando mais de cem enormes contêineres de produtos químicos. Isso confirmou uma opinião que tenho há muito tempo: o Brasil perdeu uma oportunidade de ouro ao não desenvolver seu sistema ferroviário para atender a um país de seu porte. Aquele trem na Espanha não apenas tirou mais de cem caminhões das estradas, reduzindo o tráfego e a poluição atmosférica e sonora, como também impediu que os caminhoneiros pudessem chantagear o país para obter o que queriam.
Ferrovias e a truculência dos caminhoneiros
Cumprimento o jornal pelo editorial de ontem intitulado Um prêmio à truculência. Foi muito bem colocado que o Brasil não pode ficar refém de caminhoneiros ou de qualquer outra classe de trabalhadores. Creio que o Brasil andou para trás nesta área dos transportes, pois, se tivesse ampliado a malha ferroviária que tinha, e não praticamente a desmantelado, hoje teríamos um transporte de carga muito mais eficiente, barato e menos poluente, o que diminuiria muito a influência destas categorias de trabalhadores que pregam a truculência antes do diálogo. Mas nunca é tarde para começar a mudar este quadro e ampliarmos a nossa rede ferroviária, tanto voltada para o transporte de carga como para o transporte de passageiros.
Bolsonarismo e a disputa contra Lula
Renan Santos: ‘bolsonarismo morreu’ e Flávio é inviável na disputa contra Lula (Estadão, 24/6). Ao que tudo indica, Renan Santos não entende nada de política. O bolsonarismo não morreu, muito pelo contrário, segue vivo, e Flávio não é inviável na disputa contra Lula. Embora não seja o candidato da direita com o perfil político mais adequado para concorrer à Presidência e tenha se envolvido com Daniel Vorcaro de forma suspeita, não podemos nos esquecer de que Lula tem um passado tenebroso e fez uma péssima gestão do País, o que nos permite concluir que teremos uma disputa acirrada entre os dois.
Decomposição social e corrupção
As manchetes dos jornais e os comentários especializados nos canais de TV transbordam diariamente, há vários meses, de escândalos financeiros embandeirados por fraudes bancárias bilionárias envolvendo autoridades confortavelmente aninhadas nas prateleiras superiores dos poderes político e Judiciário, até agora impunes, mesmo porque alguns dos que poderiam aplicar as devidas injunções da lei estão emaranhados nos desvios. Trata-se talvez do mais notável evento da história da República a exibir um espoliamento maiúsculo de dinheiro subtraído dos pesados impostos arrancados do povo brasileiro, visando ao enriquecimento fácil de alguns privilegiados. O cenário é configurado perante o mundo como um enorme show de corrupção, entre os maiores de que se tem conhecimento, o que torna o Brasil um dos países mais injustos e cegos de justiça entre as democracias. O palco que atualmente se desdobra indica que ele pode estar no limiar da decomposição da sua sociedade, que, por isso, corre o risco de se transformar numa espécie de palco de vale-tudo, com consequências difíceis de vislumbrar.
Corrupção e conivência social
Com pesares, vivemos o dia a dia neste Brasil. E, infelizmente, todos somos coniventes com o modo casual, cotidiano e natural com que convivemos com as desgraças de tantos. As bolhas dos mundos pessoais, individuais, induzidas pelo capitalismo de consumo de última geração, nos fazem simplesmente desconhecer o que sejam empatia, fraternidade e caridade. O materialismo forjado nas excrescências de religiões defasadas, que não guardam as razões das lógicas mais primárias, impera com tal desenvoltura que tratar do espírito, de modo consciencioso, é como erguer estandartes da própria infantilidade. E, por essas e tantas razões mais, assistimos impotentes e anestesiados à fanfarra dos dirigentes dos Poderes da República, que não mais se avexam de cometer as corrupções mais absurdas possíveis, desviando bilhões que serviriam a uma sociedade composta, em sua maioria, de pessoas desassistidas, para que minorassem suas dores e acalentassem suas esperanças. Bendito Brasil! Malditos corruptos despudorados!
Círculos de poder e a repetição de escândalos
Mensalão, petrolão, fraude no INSS, Banco Master. Independentemente das diferenças entre os casos, chama a atenção a recorrência de escândalos envolvendo personagens que transitam pelos mesmos círculos de poder há décadas. O mais desanimador é a previsibilidade do roteiro. Surgem as denúncias, vêm as negativas e, ao final, instala-se a disputa para provar quem roubou mais ou menos, à direita ou à esquerda. Nessa guerra de versões, a ética pública acaba relegada a segundo plano. Para uma sociedade já cansada de promessas de ética e transparência, cada novo episódio reforça a desconfiança de que, no Brasil, os custos políticos dos escândalos costumam ser menores do que deveriam. Fecham-se as cortinas, o público deixa o teatro indignado e, pouco tempo depois, o espetáculo recomeça, muitas vezes com os mesmos protagonistas. E a cena se repete, cada vez mais sofisticada: dólares, euros, favores e conveniências. Ética? Brio? Continuam desaparecidos do elenco principal.
Caso Master e a teia de relacionamentos
A respeito da rica e extensa teia de relacionamentos com o mais alto escalão de políticos estabelecida pelo banqueiro golpista Daniel Vorcaro para erguer e sustentar o liquidado Banco Master, entre os quais alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), cabe dizer que ninguém compra ninguém que não esteja à venda. Como lembra o célebre dito popular: “Todo homem tem seu preço”. E Vorcaro se dispôs a pagar. Diante do fato, cabe dizer não ser justo que somente ele esteja atrás das grades, aguardando a condenação definitiva, mas que também sejam punidos, com o rigor da lei, os que se deixaram subornar. Vergonha.
Delação premiada e a paciência das autoridades
Daniel Vorcaro está usando e abusando da paciência das autoridades que investigam as fraudes do Banco Master. Não entendo de justiça – ela existe no Brasil? –, muito menos de atividades policiais, mas tenho certeza de que, se colocarem esse criminoso, seus parentes e outros já presos preventivamente em prisões solitárias por pelo menos uma semana, rapidinho vão dizer tudo o que sabem.
País sem futuro: baixo investimento
A cada poucas semanas, o economista Roberto Macedo publica no Estadão sua coluna com a mesma mensagem: sem investimento, nosso futuro será medíocre. De fato, segundo dados do FMI, a taxa média de investimento anual dos países desenvolvidos, dos emergentes e da América Latina é persistentemente maior do que a nossa. Assistimos hoje ao desabrochar da China com admiração e inveja, mas eles chegam a investir 40% do PIB ao ano, frente aos nossos míseros 16%. O investimento público brasileiro é baixo, e o privado se reduz progressivamente devido à alta carga tributária e aos juros elevados. Estamos garantindo hoje que ficaremos cada vez mais distantes dos países desenvolvidos e dos outros países emergentes, como a Coreia. Muitos brasileiros que emigraram não entendem de taxa de investimento e suas consequências, mas sentiram na pele o que houve de piora progressiva na falta de perspectiva no País. Muitos dos nossos melhores talentos nos deixaram, agravando ainda mais o futuro do País. Muda, Brasil.
Carga tributária e má administração
O problema não é a União, os Estados e os municípios cobrarem tributos. O problema é que temos que pagá-los e, posteriormente, contratarmos escola particular, plano de saúde particular, segurança particular, previdência particular etc. Em outros países – nos quais a carga tributária é superior ao Brasil, inclusive – também se pagam tributos, porém os serviços públicos funcionam com qualidade. Vejo que este é o nosso maior problema: má administração dos recursos públicos (dinheiro do contribuinte), bem como o alto índice de corrupção.
Lula e Trump: críticas e consequências
Já faz algum tempo que nosso presidente resolveu que bater no presidente Donald Trump renderia votos para ele e aproveitou várias oportunidades para fazê-lo. Agora, na reunião do G-7, fez um discurso no qual tudo o que disse era contrário ao que diz Trump. Todos estamos de acordo que os eleitores dos Estados Unidos fizeram uma péssima escolha, mas insistir nas críticas contra esse senhor foi uma grande bobagem que Lula fez. Aliás, toda vez que ele fala de improviso, a coisa complica.
Placebo: a química de Lula com Trump
Trump chama Lula de ‘muito volátil, mas muito inteligente’ e diz que ‘não poderia se importar menos’ (Estadão, 19/6). Um placebo é uma substância ou tratamento sem princípio ativo real, como uma pílula de farinha ou soro fisiológico. A “química” de Lula com Trump funciona como um placebo: não faz efeito. Seu nome é “volátil”.
Keir Starmer e a renúncia no Reino Unido
A renúncia do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, deixa certa tristeza em quem acompanhou seu trajeto. Sua presença sempre foi digna, como costuma ser a de um britânico de estirpe. Vamos aguardar quem será seu substituto.
Geopolítica e a formação de blocos internacionais
A possível formação de grandes blocos internacionais de poder poderá representar uma mudança importante na ordem geopolítica mundial. Nesse novo cenário, países e regiões seriam reunidos em estruturas maiores de coordenação política, econômica e estratégica. O Brasil, pela sua localização e importância regional, estaria naturalmente inserido em um bloco americano, ao lado dos países da América do Norte, Central e do Sul. A grande questão é saber se essa reorganização será positiva para o Brasil. A resposta depende da forma como ela será construída. Se esse novo bloco respeitar a soberania nacional, fortalecer a economia, ampliar a segurança regional e criar melhores condições de comércio e desenvolvimento, poderá ser uma oportunidade importante para o País. O Brasil tem território, população, produção agrícola, recursos naturais, matriz energética relevante e posição estratégica para exercer papel de destaque dentro de qualquer arranjo continental. No entanto, essa integração não poderá significar submissão automática aos interesses de uma potência maior. Caso o bloco seja usado apenas para impor decisões externas, limitar a autonomia brasileira ou reduzir a capacidade do País de defender seus próprios interesses, a reorganização será negativa. O Brasil não pode entrar em uma nova estrutura internacional como simples coadjuvante. Precisa participar como nação soberana, com voz ativa e poder de negociação. A disputa entre esquerda e direita também não deve ser o único critério para avaliar esse movimento. O País já sofreu muito com radicalismos ideológicos, rupturas institucionais e conflitos políticos permanentes. O que deve orientar a posição brasileira é o interesse nacional: crescimento econômico, segurança, estabilidade democrática, proteção das populações e fortalecimento das instituições. Portanto, a nova organização geopolítica poderá ser positiva para o Brasil, desde que seja baseada em cooperação, equilíbrio e respeito à soberania. Se for um projeto de integração justa, capaz de ampliar oportunidades e reduzir conflitos, o País poderá se beneficiar. Mas, se representar dependência política, perda de autonomia ou alinhamento cego a interesses externos, trará mais riscos do que vantagens. O Brasil precisa estar atento. Em um mundo marcado por guerras, tensões comerciais, avanço tecnológico e ameaças bélicas cada vez mais graves, nenhum país pode agir isoladamente. Ao mesmo tempo, nenhuma nação deve abrir mão de decidir seu próprio destino. A melhor posição brasileira será aquela que une cooperação internacional com independência nacional.
Ineficiência no bloqueio de bets ilegais
Se o governo tiver, para bloquear o dinheiro de bets ilegais, a mesma eficiência que tem para bloquear chamadas telefônicas de golpistas, os criminosos responsáveis por essas empresas podem dormir tranquilos.
Segurança pública e turismo
Uma grande fonte de renda das cidades é o turismo. Quando se fazem atentados contra turistas, está-se minando essa grande fonte de renda. Portanto, além da legislação contra crimes comuns, há que se legislar um crime adicional: “crimes contra a imagem do País”, adicionando ou dobrando a pena para desestimular os marginais a cometer esse tipo de crime.



