Dólar forte retorna? Mercado reage com petróleo em alta e tensões no Oriente Médio
Dólar forte retorna? Mercado reage com petróleo e tensões no Oriente

O dólar forte está de volta e já impacta os mercados globais. O Ibovespa intensificou as perdas nesta segunda-feira (13), após o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a retomada do bloqueio naval ao Irã, elevando as tensões no Estreito de Ormuz. O petróleo Brent disparou mais de 4%, refletindo o risco de interrupção no fornecimento de energia. As taxas do Tesouro também subiram, acompanhando o avanço do petróleo e as projeções de inflação para 2027.

Trump restabelece bloqueio naval ao Irã e petróleo dispara

Donald Trump declarou que os Estados Unidos retomarão o bloqueio naval ao Irã, impondo uma taxa de 20% sobre cargas que transitarem pelo Estreito de Ormuz. A medida reacendeu as tensões na região, que já vinham em alta após ataques entre os dois países. O tráfego em Ormuz caiu ao nível mais baixo em dois meses, segundo dados de monitoramento marítimo.

Em resposta, o Irã rejeitou o controle dos EUA sobre o estreito e ameaçou retaliação militar. O governo iraniano classificou a decisão como uma violação do direito internacional e prometeu defender sua soberania. A escalada elevou o barril do Brent para acima de US$ 85, com alta superior a 4% no dia.

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Ibovespa e mercado brasileiro sob pressão

O Ibovespa ampliou as perdas, influenciado pelo cenário externo adverso e pelo aumento da aversão ao risco. O índice operava próximo dos 181 mil pontos, mas enfrentava resistência. O dólar comercial esbarrava em resistência técnica, cotado a R$ 5,00, conforme projeção da XP Investimentos.

As ações da Vale (VALE3) continuavam pressionadas, enquanto Caixa Seguridade (CXSE3) mantinha impulso comprador. O Bradesco BBI apontou que a temporada de balanços do segundo trimestre pode reforçar a aposta na bolsa brasileira, ainda considerada barata em termos globais.

Taxas do Tesouro sobem com inflação e petróleo

As taxas dos títulos do Tesouro Nacional avançaram, acompanhando a alta do petróleo e a revisão para cima das projeções de inflação para 2027. O mercado passou a precificar maior risco inflacionário, o que pode levar o governo a intervir no mercado de títulos. Especialistas avaliam que o cenário reduz a atratividade de títulos como o IPCA+8%.

Segundo analistas, a combinação de dólar forte, petróleo caro e juros futuros elevados cria um ambiente desafiador para ativos de risco. A renda fixa, por outro lado, oferece taxas atrativas, com CDBs, LCIs e LCAs pagando prêmios elevados.

Reação dos mercados internacionais

Na Ásia, o índice Kospi, da Coreia do Sul, tombou 9% com a queda das ações de semicondutores, após a escalada EUA-Irã. A SK Hynix viu suas ações despencarem após estreia na Nasdaq, em meio a realizações de lucros. O índice japonês Nikkei também recuou, refletindo o temor de uma crise energética global.

Na Europa, o incêndio florestal que assola a região próxima a Paris agravou o sentimento negativo, em meio a uma onda de calor. O Reino Unido anunciou que designará a Guarda Revolucionária do Irã como ameaça à segurança nacional, elevando ainda mais as tensões diplomáticas.

Oportunidades e riscos para investidores

Em meio à volatilidade, bancos como JPMorgan e Bradesco BBI recomendam ações de empresas como Suzano (SUZB3), citando riscos climáticos do El Niño como oportunidade. A Vibra e a Ultrapar também são vistas com bons olhos, com margens acima do esperado.

A XP Investimentos mantém otimismo com o PIB brasileiro e prevê dólar a R$ 5,00, mas alerta para a necessidade de ajustar portfólios para o segundo semestre. O cenário de dólar forte e petróleo alto exige cautela, mas também abre janelas para estratégias de hedge e exposição a ativos ligados a commodities.

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