O mercado financeiro global amanheceu sob forte pressão nesta segunda-feira, após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a retomada do bloqueio naval ao Irã e a imposição de uma taxa de 20% sobre cargas que transitam pelo Estreito de Ormuz. A medida reacendeu tensões geopolíticas e elevou o preço do petróleo, gerando um movimento de aversão ao risco que derrubou o Ibovespa, o Bitcoin e os principais índices de Wall Street.
Ibovespa intensifica perdas com guerra e balanços
O Ibovespa ampliou as perdas no pregão de hoje, pressionado pelo cenário externo adverso e pela temporada de balanços corporativos. O índice opera em queda, testando o suporte dos 181 mil pontos, enquanto o dólar esbarra em resistência técnica. A combinação de juros altos nos EUA, incerteza fiscal doméstica e o agravamento do conflito no Oriente Médio afasta investidores da Bolsa brasileira.
Entre as ações mais negociadas, a Vale (VALE3) continua pressionada pela queda do minério de ferro na China, enquanto a Caixa Seguridade (CXSE3) mantém forte impulso comprador, sustentada por resultados acima do esperado. O Bradesco BBI reforçou a aposta na Bolsa brasileira barata, mas alertou que a temporada do 2º trimestre pode ser decisiva para confirmar a tendência.
Bitcoin cai com alta do petróleo e temor de inflação
O Bitcoin registra queda acentuada, acompanhando o movimento de fuga de ativos de risco. A alta do petróleo, que ultrapassou os US$ 90 por barril, reacendeu o temor de inflação persistente, o que pode levar os bancos centrais a manterem juros elevados por mais tempo. Criptomoedas, historicamente sensíveis a mudanças na liquidez global, sofreram com a reprecificação de risco.
“O mercado está precificando um cenário de estagflação, com crescimento menor e inflação teimosa”, afirmou o estrategista-chefe de um grande banco de investimentos, em nota a clientes. “Isso é letal para ativos como Bitcoin, que se beneficiam de liquidez abundante.”
Trump anuncia retomada de bloqueio ao Irã; EUA cobrarão 20% sobre cargas em Ormuz
Em pronunciamento, Donald Trump declarou que os EUA restabelecerão o bloqueio naval ao Irã, interrompido durante a administração Biden, e passarão a cobrar uma taxa de 20% sobre todas as cargas que cruzarem o Estreito de Ormuz. A medida visa pressionar Teerã a limitar seu programa nuclear e interromper o apoio a grupos armados na região.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo global. A cobrança de 20% sobre as cargas representa um aumento significativo nos custos de transporte e pode elevar ainda mais os preços dos combustíveis. Segundo analistas, a decisão de Trump contraria evidências de queda da inflação e dos preços do petróleo, como ele próprio afirmou em discurso recente.
Irã rejeita controle dos EUA sobre Ormuz e ameaça retaliação militar
O governo iraniano rejeitou imediatamente a imposição de qualquer taxa ou controle estrangeiro sobre o Estreito de Ormuz. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a medida como “violação do direito internacional” e ameaçou retaliação militar caso os EUA tentem implementar o bloqueio.
“O Estreito de Ormuz é uma via navegável internacional, e qualquer tentativa de controle unilateral será enfrentada com uma resposta firme”, declarou o porta-voz do Ministério. A tensão elevou o prêmio de risco geopolítico, com o petróleo Brent atingindo o maior nível desde outubro do ano passado.
Tráfego em Ormuz cai a nível mais baixo em 2 meses
Como reflexo imediato das ameaças, o tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses, segundo dados de monitoramento marítimo. Navios estão evitando a rota ou buscando alternativas, como o aumento da capacidade de oleodutos na região. O Goldman Sachs projeta que a expansão de oleodutos pode reduzir gradualmente a dependência global do Estreito de Ormuz, mas alerta que o processo levará anos.
Nasdaq e S&P 500 perdem força; guerra e balanços pressionam
Em Wall Street, o Nasdaq e o S&P 500 operam em queda, pressionados pelo receio de que a escalada do conflito no Oriente Médio possa alimentar a inflação e atrasar o ciclo de cortes de juros pelo Federal Reserve. A temporada de balanços do segundo trimestre também pesa, com resultados mistos de grandes empresas de tecnologia.
O índice S&P 500 recuava 0,8% no meio da tarde, enquanto o Nasdaq caía mais de 1%, liderado por perdas em ações de semicondutores. A ação da SK Hynix despencou após sua estreia na Nasdaq, em meio a realizações de lucros e preocupações com a demanda por chips de memória.
Bancos elevam apostas em Vibra e Ultrapar com margens acima do esperado
Em meio ao cenário turbulento, alguns setores se destacam positivamente. Bancos de investimento elevaram suas apostas nas ações da Vibra Energia e da Ultrapar, após as empresas reportarem margens acima do esperado no segundo trimestre. As ações sobem no pregão, impulsionadas pela melhora nas perspectivas de lucro.
O JPMorgan reiterou sua preferência por Suzano (SUZB3), citando riscos climáticos do El Niño como fator de alta para o preço da celulose. “A Suzano está bem posicionada para se beneficiar de eventuais interrupções de oferta”, afirmou o banco em relatório.
Onde investir: renda fixa e ajustes de portfólio para o 2º semestre
Com a volatilidade elevada, analistas recomendam cautela e ajustes nos portfólios. A XP Investimentos mantém otimismo com o PIB brasileiro e prevê o dólar a R$ 5,00, mas sugere diversificação entre renda fixa e variável. Para a renda fixa, as taxas de CDBs, LCIs e LCAs continuam atrativas, com destaque para títulos indexados à inflação.
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