O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retomada do bloqueio naval ao Irã, uma medida que reacende as tensões no Estreito de Ormuz e provoca forte reação nos mercados globais. O petróleo Brent saltou mais de 4% nesta segunda-feira, enquanto o dólar se fortalece ante moedas emergentes, incluindo o real. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, intensificou as perdas, refletindo o risco geopolítico e a aversão a ativos de risco.
Impacto imediato nos mercados
O barril do petróleo Brent, referência internacional, superou os US$ 80, impulsionado pela escalada das hostilidades no Oriente Médio. A decisão de Trump de restabelecer o bloqueio naval, que inclui a cobrança de 20% sobre cargas que transitam por Ormuz, foi recebida com rejeição imediata pelo Irã. O governo iraniano ameaçou retaliação militar, aumentando o prêmio de risco sobre o petróleo.
No mercado de câmbio, o dólar comercial avançou para perto de R$ 5,00, pressionando moedas de países emergentes. O real sente o impacto da aversão ao risco e da alta do petróleo, que eleva custos de importação. As taxas dos títulos do Tesouro também subiram, acompanhando o avanço do petróleo e a projeção de inflação para 2027, que superou o teto da meta.
Ibovespa sob pressão
O Ibovespa operou em queda acentuada, com perdas generalizadas. As ações da Petrobras chegaram a cair mais de 3%, apesar da alta do petróleo, devido ao temor de intervenção do governo nos preços dos combustíveis. Já os papéis de empresas ligadas ao consumo e à indústria recuaram com o dólar forte e a perspectiva de juros mais altos.
Segundo analistas do Bradesco BBI, a temporada de balanços do segundo trimestre pode reforçar a aposta em uma bolsa brasileira barata, mas o cenário externo adverso deve limitar ganhos. “O mercado está precificando um risco maior de recessão global, e o Brasil não fica imune”, afirmou um estrategista da corretora.
Reações do Irã e dos EUA
O Irã rejeitou categoricamente o controle dos Estados Unidos sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Em comunicado oficial, o governo iraniano afirmou que “qualquer tentativa de bloquear nosso direito de navegação será respondida com força”. A Guarda Revolucionária do Irã, que deve ser designada como ameaça à segurança nacional pelo Reino Unido, já mobilizou embarcações militares na região.
Trump, por sua vez, contrariou evidências ao afirmar que a inflação e os preços do petróleo estão caindo, ignorando os dados recentes que mostram alta nos combustíveis. A Casa Branca defendeu a medida como necessária para conter o programa nuclear iraniano, mas críticos apontam que a ação pode desencadear um conflito de grandes proporções.
Consequências para investidores
Com o dólar forte e o petróleo em alta, investidores buscam proteção em ativos de renda fixa indexados à inflação. As taxas do Tesouro IPCA+ já superam 6% ao ano, mas a possibilidade de intervenção do governo para conter a alta dos juros preocupa. “O mercado teme que o Tesouro puxe o gatilho da intervenção, o que reduziria a atratividade dos títulos”, alerta um gestor de recursos.
No setor de combustíveis, bancos como JPMorgan e Bradesco elevaram as apostas em Vibra e Ultrapar, que apresentam margens acima do esperado. As ações dessas empresas subiram, contrastando com a queda geral do mercado. Para quem busca exposição à bolsa, analistas recomendam cautela e foco em ações de empresas exportadoras, que se beneficiam do dólar alto.
Cenário global e próximos passos
O tráfego no Estreito de Ormuz caiu ao nível mais baixo em dois meses, segundo dados de monitoramento marítimo. A redução reflete o temor de ataques entre EUA e Irã, que já resultaram em incidentes nas últimas semanas. Na Ásia, o índice Kospi, da Coreia do Sul, tombou 9% com a queda de semicondutores, enquanto a ação da SK Hynix despencou após estreia na Nasdaq.
Na Europa, um incêndio florestal assola a região próxima a Paris, em meio a uma onda de calor que agrava as condições. O Reino Unido planeja designar a Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista, ampliando o isolamento diplomático de Teerã.
Para o Brasil, o cenário externo adverso se soma a questões internas, como a greve dos caminhoneiros anunciada para esta semana e a crise política envolvendo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que teve R$ 6,15 milhões em bens bloqueados pelo STF. O governo tenta conter os danos, mas a confiança dos investidores segue abalada.



