O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que a decisão sobre a imposição de tarifas contra o Brasil deve ser divulgada até o dia 15 de julho. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa em Washington, onde Greer destacou que as negociações estão em fase final de análise técnica.
Contexto das tarifas
As tarifas em questão fazem parte de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais por parte do Brasil, especialmente no setor de aço e alumínio. O governo brasileiro, por sua vez, argumenta que as medidas são protecionistas e prejudicam o livre comércio entre os países.
Segundo Greer, a equipe técnica dos EUA está avaliando os impactos econômicos e as possíveis respostas do Brasil. “Queremos uma solução que seja justa para ambas as partes, mas que também proteja os interesses dos trabalhadores americanos”, afirmou.
Impacto esperado
Especialistas consultados pelo Valor Econômico apontam que a imposição de tarifas pode reduzir as exportações brasileiras de aço em até 15%, afetando diretamente a balança comercial. O Brasil é um dos maiores fornecedores de aço para os EUA, com vendas anuais de aproximadamente US$ 2,5 bilhões.
O ministro da Economia, Paulo Guedes, já sinalizou que o Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso as tarifas sejam confirmadas. “Defenderemos nossos interesses comerciais dentro das regras internacionais”, disse Guedes em entrevista recente.
Reação do mercado
O anúncio de Greer gerou volatilidade no mercado financeiro brasileiro. O Ibovespa fechou em queda de 0,8% nesta quarta-feira, com destaque para as ações de siderúrgicas, como Usiminas e Gerdau, que caíram mais de 2%. O dólar subiu 0,5%, cotado a R$ 5,20.
Analistas do Goldman Sachs destacaram que a incerteza sobre as tarifas pode adiar investimentos no setor industrial brasileiro. “A indefinição regulatória é um dos principais riscos para a economia em 2026”, afirmaram em relatório.
Próximos passos
A decisão final caberá ao presidente dos EUA, que pode optar por tarifas graduais ou uma suspensão temporária das negociações. Greer não descartou a possibilidade de um acordo bilateral antes da data limite, mas ressaltou que as conversas estão em estágio avançado.
O governo brasileiro já prepara uma contraproposta que inclui redução de barreiras não tarifárias para produtos americanos, como forma de evitar a escalada da disputa comercial.



