Confiança empresarial cai mais em quase um ano, aponta FGV
Confiança empresarial tem pior queda em quase um ano

A confiança do empresariado brasileiro sofreu em julho a maior queda em quase um ano, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança Empresarial (ICE) recuou de forma expressiva, refletindo a percepção de deterioração da demanda e o receio com os efeitos das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre a economia global.

Queda acentuada e cenário de incerteza

O levantamento da FGV/Ibre mostra que o índice caiu pelo segundo mês consecutivo, mas a intensidade da queda em julho surpreendeu analistas. Segundo Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV/Ibre, a piora na percepção sobre a demanda é o principal fator por trás do movimento. "Dada a percepção de demanda piorando, existe chance de o índice continuar caindo", afirmou o pesquisador em comunicado oficial.

O ICE recuou para o menor nível desde setembro do ano passado, interrompendo um ciclo de relativa estabilidade observado no primeiro semestre. A pesquisa ouviu mais de 1.200 empresas de diferentes portes e setores entre os dias 1º e 25 de julho, capturando o impacto das incertezas externas e internas.

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Tarifas dos EUA geram preocupação no setor produtivo

Um dos destaques do estudo é a preocupação crescente do empresariado com as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a uma série de produtos importados. A medida, que afeta diretamente cadeias globais de suprimento, eleva custos e reduz a competitividade das exportações brasileiras. "A política comercial americana é uma fonte de incerteza que afeta as expectativas dos empresários, especialmente os ligados ao comércio exterior", explicou Campelo Jr.

O setor industrial foi o mais afetado, com queda de 4,2 pontos no índice setorial, seguido pelo setor de serviços, que recuou 3,8 pontos. O comércio também registrou queda, embora menos intensa, de 2,5 pontos. A construção civil, por outro lado, mostrou relativa resiliência, com variação negativa de apenas 0,8 ponto.

Expectativas para os próximos meses

A pesquisa também avaliou as expectativas dos empresários para os próximos seis meses. O indicador que mede a confiança no futuro caiu 5,1 pontos, o que sugere que o pessimismo não se limita ao momento atual, mas se estende para o médio prazo. "A queda nas expectativas é um sinal de alerta, pois indica que os empresários não veem uma reversão rápida do cenário", destacou o pesquisador.

Entre os fatores que contribuem para o pessimismo estão a desaceleração da economia chinesa, a alta dos juros no Brasil e a instabilidade política em alguns países da América Latina. A combinação desses elementos reduz o apetite por investimentos e posterga decisões de contratação e expansão.

Impacto na economia e no emprego

A queda da confiança empresarial tende a se refletir em redução de investimentos e, consequentemente, na geração de empregos. Segundo economistas, o índice é um dos principais indicadores antecedentes do ciclo econômico, antecedendo variações no PIB em cerca de dois trimestres. "Se a tendência de queda se mantiver, o mercado de trabalho pode sofrer nos próximos meses, com menor criação de vagas formais", avalia a análise da FGV.

O levantamento também aponta que as empresas estão mais cautelosas em relação à contratação de novos funcionários e à realização de novos projetos. O indicador de investimento caiu 4,3 pontos, o maior recuo desde outubro do ano passado. "O empresário está esperando sinais mais claros de estabilidade para retomar os planos de expansão", concluiu Campelo Jr.

Contexto econômico e perspectivas

O resultado de julho reforça a visão de que a economia brasileira enfrenta um período de desaceleração, influenciada por fatores externos e internos. A FGV ressalta que a recuperação do índice dependerá da evolução do cenário internacional, especialmente das negociações comerciais entre EUA e China, e das políticas econômicas domésticas.

Para os próximos meses, a expectativa é de que o índice permaneça volátil, com possibilidade de novos recuos caso as condições de demanda não melhorem. "A tendência é de cautela, e os empresários devem monitorar de perto os desdobramentos da política comercial americana e os sinais de aquecimento da economia doméstica", finalizou o pesquisador.

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