Confiança empresarial cai em julho ao menor nível desde dezembro, diz FGV/Ibre
Confiança empresarial cai em julho ao menor nível desde dezembro

A confiança empresarial no Brasil registrou queda em julho, atingindo o menor patamar desde dezembro do ano passado, conforme dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre). O Índice de Confiança Empresarial (ICE) recuou 1,2 ponto no período, passando de 94,8 para 93,6 pontos. O resultado reflete a piora nas expectativas dos empresários dos setores da indústria, comércio, serviços e construção, em meio a um cenário de juros elevados e incertezas políticas.

Queda disseminada entre os setores

De acordo com a FGV, a retração da confiança foi observada em três dos quatro setores pesquisados. O setor de serviços foi o que apresentou a maior queda, com recuo de 2,3 pontos no índice setorial, seguido pelo comércio, que caiu 1,6 ponto. A indústria também registrou diminuição, de 0,8 ponto, enquanto a construção ficou estável, com variação de apenas 0,1 ponto positivo.

O ICE é calculado a partir da combinação da avaliação dos empresários sobre a situação atual e as expectativas para os próximos meses. Em julho, o componente que mede as expectativas caiu 2,1 pontos, enquanto o que mede a situação atual teve leve alta de 0,3 ponto. Isso indica que os empresários estão mais pessimistas em relação ao futuro, apesar de a percepção sobre o presente ainda se manter relativamente estável.

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Impacto na economia

A queda da confiança empresarial é um sinal de alerta para a atividade econômica, pois pode levar a uma redução nos investimentos e na contratação de pessoal. Segundo analistas, o ambiente de juros altos, com a taxa Selic em 13,75% ao ano, e a incerteza política em ano eleitoral têm contribuído para a deterioração do clima de negócios.

O economista da FGV/Ibre, responsável pela pesquisa, destacou que a piora é generalizada e pode ser atribuída a fatores como a desaceleração da economia global e as tensões no cenário doméstico. “Os empresários estão mais cautelosos, aguardando definições sobre o rumo da política econômica após as eleições”, afirmou.

Comparação com meses anteriores

Em junho, o ICE já havia apresentado queda de 0,9 ponto, após dois meses de alta. Com o resultado de julho, o índice acumula duas quedas consecutivas e se aproxima do nível observado em dezembro de 2021, quando marcou 93,2 pontos. A média histórica do indicador é de 100 pontos, o que indica que a confiança está abaixo do padrão.

Entre os componentes do ICE, o Núcleo de Expectativas, que reúne as projeções para os próximos seis meses, caiu de 99,1 para 97,0 pontos, o menor nível desde março. Já o Índice de Situação Atual subiu de 90,7 para 91,0 pontos, mas ainda permanece em território negativo.

Reações do mercado

O mercado financeiro reagiu com cautela aos dados, com o Ibovespa operando em queda no início da manhã. Investidores monitoram os próximos indicadores para avaliar o impacto da confiança reduzida sobre o crescimento do PIB. A pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central, já havia mostrado redução nas projeções de crescimento para 2022, de 1,5% para 1,4%.

Especialistas acreditam que a confiança empresarial deve continuar pressionada até que haja maior clareza sobre o cenário pós-eleitoral. A pesquisa da FGV/Ibre é considerada um importante termômetro para antecipar movimentos de investimento e consumo.

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