O Palmeiras confirmou a nova identidade sob o comando de Abel Ferreira ao vencer o Fortaleza por 3 a 0, no primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Brasil. A partida, realizada na Arena Barueri, evidenciou a transformação da equipe após a Copa do Mundo: pela quarta partida consecutiva, o treinador português escalou o time com três zagueiros, repetindo a estrutura que vem dando resultados. Sem Gustavo Gómez, Emiliano Martínez atuou como zagueiro pela direita, com Murilo centralizado e Barboza pela esquerda.
Mudança de postura e mais presença ofensiva
O novo esquema não é apenas uma alternativa para suprir as ausências de Flaco López e Vitor Roque, mas uma opção que aumentou a produção ofensiva do Verdão. Nas quatro partidas com três zagueiros, o time teve três vitórias e uma derrota, mas sempre com volume de jogo superior ao adversário. Na derrota para o Atlético-MG, por exemplo, o Palmeiras finalizou 21 vezes; contra o Fortaleza, foram 17 finalizações. A explicação está na forma como o time ataca e marca por pressão lá na frente.
Com três zagueiros, o Palmeiras consegue posicionar pelo menos sete jogadores no campo ofensivo. Com a posse de bola, Allan abre pela direita e Piquerez pela esquerda, enquanto Marlon e Andreas avançam como meias de chegada, aproximando-se do meio-campo adversário. Essa disposição tática permite que o time crie superioridade numérica no ataque, como mostram as imagens táticas da partida.
Qualidade na saída de bola e liberdade de movimentação
O bom desempenho começa na defesa. Barboza, com seus passes precisos, encaixou perfeitamente na função de zagueiro pela esquerda, enquanto Emiliano Martínez, improvisado na direita, cumpriu o papel de Gustavo Gómez, ajudando na construção das jogadas sem depender de um volante para pensar o jogo. Marlon e Andreas buscam a bola com os zagueiros e, em seguida, avançam como meias ofensivos, dando ao Palmeiras mais dois homens no ataque.
“Qualquer sistema pode ser ofensivo ou defensivo. No século XXI, todos já sabem que eu quero agressividade ofensiva. Quero o Marlon perto da área, o Andreas. Uma equipe com sete atacando e três equilibrando”, declarou Abel Ferreira após a vitória sobre o Fortaleza.
Mauricio como falso nove e ataque sem posição fixa
Destaque da Copa do Mundo pelo Paraguai, Mauricio tem sido o principal beneficiado pelo novo esquema. Nos quatro jogos após o Mundial, ele marcou quatro gols, atuando como um “falso nove”, com liberdade para se movimentar por toda a frente. Atrás dele, Sosa e Arias trocam de posições constantemente, abrindo espaços na defesa adversária sem a presença de um centroavante de ofício.
O movimento é frequente: Mauricio busca a bola no meio-campo, enquanto Piquerez corre para atacar o espaço, e Arias e Sosa se posicionam na área para finalizar. Essa dinâmica torna o ataque menos previsível e dificulta a marcação adversária. Além disso, a liberdade de Mauricio para não ficar preso à direita permite que ele explore dribles e infiltrações na área, mantendo sempre sete jogadores no campo ofensivo.
Defesa híbrida: linha de quatro como proteção
Quando o adversário consegue superar a pressão, o Palmeiras se reorganiza em uma linha de quatro, com Piquerez recompondo pelo lado direito e Marlon recuando para dar proteção. Essa defesa híbrida funciona como um “último recurso”, garantindo solidez mesmo quando o time está exposto. O esquema tem trazido vantagens claras: com Allan e Piquerez abertos, Marlon e Andreas avançam, e o time ocupa o campo ofensivo com até sete atletas; o sistema favorece a movimentação de Mauricio, Arias e Sosa, deixando o ataque menos previsível; sem a bola, a equipe pode formar uma linha de quatro e manter proteção.
O líder de retomadas de bola é Arias, principal contratação do ano, que se tornou titular absoluto sob o comando de Abel Ferreira. Sua capacidade de pressionar e recuperar a posse é fundamental para o estilo de jogo do time.
Próximos desafios e retorno dos lesionados
Com a vantagem de três gols, o Palmeiras volta a campo nesta quarta-feira, dia 5, para o jogo de volta contra o Fortaleza, na Arena Pantanal, às 21h30. A comissão técnica ainda terá que lidar com o retorno de Flaco López, que já marcou na partida de ida, e de Vitor Roque, que se recupera de lesão. A volta de Paulinho, que busca emendar uma sequência de jogos, também é uma preocupação positiva para o técnico português.
O novo esquema com três zagueiros, que inicialmente era uma solução emergencial, pode se tornar a base do time para a sequência da temporada, dada a eficiência demonstrada em campo.



