O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, defendeu que o Federal Reserve (Fed) amplie sua linha de liquidez para apoiar o iene japonês. A declaração foi feita durante uma reunião com investidores e analistas em Tóquio, nesta terça-feira (4). Segundo Bessent, a medida seria uma forma de estabilizar os mercados globais e evitar uma volatilidade cambial excessiva.
Contexto da declaração
A declaração de Bessent ocorre em um momento de forte pressão sobre o iene, que atingiu o menor nível em 34 anos frente ao dólar. A moeda japonesa tem sido afetada pela diferença de juros entre os EUA e o Japão, com o Fed mantendo taxas elevadas enquanto o Banco do Japão (BoJ) mantém uma política monetária ultra-acomodatícia.
Bessent afirmou que uma linha de liquidez ampliada do Fed poderia ajudar a conter a especulação contra o iene, oferecendo uma rede de segurança para os mercados. Ele destacou que o Fed já possui mecanismos semelhantes com outros bancos centrais, como o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra, e que estender essa facilidade ao Japão seria uma medida prudente.
Impacto nos mercados
A fala de Bessent teve impacto imediato nos mercados, com o iene se valorizando cerca de 1,5% frente ao dólar nas horas seguintes. Analistas, no entanto, alertam que uma medida concreta do Fed pode levar tempo e que a volatilidade deve persistir até que haja uma sinalização clara de política.
Segundo dados da Bolsa de Tóquio, o volume de negociações de câmbio atingiu o maior nível em dois anos, refletindo a ansiedade dos investidores. "O mercado está dividido entre aqueles que acreditam em uma intervenção coordenada e aqueles que veem apenas retórica", disse um estrategista de câmbio de um grande banco europeu, que preferiu não se identificar.
Reações no Japão
No Japão, a declaração foi recebida com cautela. O ministro das Finanças, Shunichi Suzuki, disse que o governo está acompanhando os movimentos do câmbio com atenção e que tomará as medidas necessárias, sem comentar diretamente a proposta de Bessent. O Banco do Japão, por sua vez, manteve sua política de controle da curva de juros, mas sinalizou que pode ajustar a postura se a pressão sobre o iene continuar.
Especialistas apontam que uma linha de liquidez do Fed ao Japão seria inédita, pois o iene é uma moeda livremente conversível e o Japão possui reservas internacionais substanciais. No entanto, a medida poderia ser vista como um sinal de cooperação internacional em tempos de estresse, semelhante aos swaps cambiais criados durante a crise financeira de 2008.
Próximos passos
Bessent afirmou que discutirá o assunto com a presidente do Fed, Janet Yellen, e com o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, nas próximas semanas. A proposta, no entanto, não faz parte da agenda oficial do Fed e pode enfrentar resistência de membros do comitê que veem a medida como uma interferência nos mercados.
Enquanto isso, o iene continua sob pressão, e os investidores aguardam os dados de inflação dos EUA, que serão divulgados na próxima sexta-feira, para ter uma direção mais clara sobre os próximos passos do Fed. A maioria dos analistas espera que o Fed mantenha as taxas inalteradas na reunião de setembro, mas que possa sinalizar cortes para o final do ano.



