Geração exposta ao antissemitismo digital: alerta para ação urgente
Geração exposta ao antissemitismo digital: alerta urgente

Há perguntas para as quais os dados ainda não oferecem respostas conclusivas, mas que, justamente por isso, exigem reflexão. Esta é uma delas: o que acontece com uma geração de jovens que, durante três anos consecutivos, foi exposta, por meio de celulares e computadores, a um volume sem precedentes de conteúdo antissemita? Não sabemos ao certo. Contudo, há elementos suficientes para concluir que deveríamos estar mais preocupados e agir com mais vigor.

Relatório revela escalada do ódio nas redes

O Relatório Anual 2025 sobre Antissemitismo na Internet, elaborado pelo Observatório Web do Congresso Judaico Latino-Americano, oferece um retrato detalhado da disseminação do ódio nas redes. Foram analisados mais de 118 milhões de conteúdos publicados em sete plataformas digitais de língua espanhola. Os números são alarmantes. Ainda assim, o que mais inquieta não é o retrato de um único ano, mas a escalada observada ao longo de três anos consecutivos.

Impacto sobre a formação de jovens

O cerne da questão reside num ponto para o qual ainda não existem respostas definitivas: qual é o impacto de uma exposição massiva e contínua a um conteúdo antissemita sobre as atitudes e percepções de uma geração formada política e socialmente nesse ambiente? A verdade é que não sabemos. E essa incerteza, por si só, já constitui um sinal de alerta.

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Desde a década de 1960, estudos demonstram que a exposição reiterada a uma mensagem, independentemente de sua veracidade, tende a aumentar sua credibilidade. Nesse processo, estereótipos são reforçados, muitas vezes de forma inconsciente. Jovens que crescem em ambientes digitais enfrentam dificuldades crescentes para distinguir informação de desinformação. Ao mesmo tempo, o antissemitismo demonstra grande capacidade de adaptação: antigos libelos medievais ressurgem como supostas “análises geopolíticas”, enquanto teorias conspiratórias circulam hoje nas redes sociais.

Urgência de intervenção e educação midiática

O que ainda desconhecemos é até que ponto esse fenômeno já influencia a visão de mundo dos jovens brasileiros e latino-americanos que passaram anos consumindo conteúdos que associam, direta ou indiretamente, os judeus à figura do agressor, do conspirador ou do dominador. A ausência de evidências conclusivas sobre os impactos geracionais dessa exposição não justifica a inação; ao contrário, torna a intervenção mais urgente. Quando finalmente formos capazes de medir seus efeitos, talvez já tenhamos uma geração moldada por essas influências.

Nesse contexto, a educação midiática é uma das ferramentas mais eficazes de prevenção. Desenvolver nos jovens a capacidade de analisar criticamente conteúdos, identificar vieses e distinguir críticas legítimas de discursos de ódio constitui o melhor antídoto de que dispomos.

Responsabilidade das plataformas e regulação

As plataformas digitais possuem responsabilidades que ainda não assumem com a devida seriedade. Da mesma forma, países como Brasil, Argentina, Uruguai e Chile dispõem de instrumentos regulatórios que poderiam ser utilizados de maneira mais coordenada e efetiva.

O cessar-fogo reduziu o volume de conteúdo antissemita em circulação, mas não solucionou o problema. O que permanece é uma geração que passou anos diante de telas que lhe ensinaram a enxergar os judeus, em especial, por meio de uma lente marcada por distorções e preconceitos. Esse é um risco que não podemos nos permitir ignorar.

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