Jetour S06 Premium: SUV híbrido plug-in que joga pelo resultado
Jetour S06 Premium: SUV híbrido plug-in que joga pelo resultado

O Jetour S06 Premium chegou à garagem do Jornal do Carro em clima de Copa do Mundo 2026. E é justamente por isso que você, leitor, será inundado neste texto por referências futebolísticas. De antemão, me perdoe. O esporte bretão é uma das minhas obsessões benignas. Automóveis também.

Dito isso, o Jetour S06 não é aquele jogador que encanta na estreia, rabisca marcadores e faz a torcida gritar ‘olé’. O SUV híbrido plug-in entra em campo com proposta bem mais pragmática. Faz o básico com organização, joga pelo conforto, aposta na economia e tenta chegar ao título ajudando o escrete com vitórias por 1 a 0.

A Jetour ainda é um nome novo para boa parte do consumidor brasileiro, mas nasce dentro de uma estrutura conhecida. A marca pertence ao Grupo Chery (embora atue no país de forma independente da Caoa) e chega com a missão de ocupar espaço entre os SUVs chineses eletrificados, um dos segmentos mais movimentados do mercado.

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O modelo comercializado por R$ 229.900 na versão testada tem como rivais, por exemplo, BYD Song Plus (R$ 249.990) e GWM Haval H6 PHEV19 (R$ 250 mil). Outros concorrentes são Leapmotor C10 REEV (R$ 219.990) e Geely EX5 EM-i (entre R$ 189.990 e R$ 234.990).

O S06 Premium, portanto, enfrenta rivais com muita tecnologia e, em vários casos, uma sensação de déjà-vu automotivo.

Ao volante do Jetour S06

Vou explicar. O S06 é um carro correto, confortável e bem acertado para o uso urbano. Deixa a pegada de aventura para os “parceiros” T1 e T2. Este último, inclusive, terá em breve opção 4x4.

Mas voltemos ao Jetour S06. O modelo tem, claro, seus predicados, mas também passa a sensação de ser mais um chinês em uma competição repleta de SUVs com visual moderno, central enorme, comandos concentrados em tela e boa lista de equipamentos. Não é pouco, mas também não é o suficiente para envergar a camisa 10.

Mesmo assim, o Jetour S06 Premium se posiciona bem. O conjunto híbrido plug-in combina o conhecido motor 1.5 turbo a combustão de 135 cv e 20,4 kgfm com propulsor elétrico de 204 cv e 31,6 kgfm. A potência combinada é de 315 cv, com torque combinado de 52 kgfm. Com 19,43 kWh, a bateria aceita até 6,6 kW em corrente alternada e 40 kW em corrente contínua. Segundo a fabricante, o nível de carga vai de 20% a 80% em até 40 minutos. Já em tomada residencial, o processo leva cerca de 7 horas.

O câmbio DHT tem uma marcha e múltiplas relações e a marca declara aceleração de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos. É número de atacante rápido, mas adianto que o carro joga mais como meia cadenciado.

Na cidade, o S06 Premium mostra sua melhor fase. A suspensão tem acerto claramente voltado ao conforto e filtra bem imperfeições, valetas e remendos de asfalto. É o tipo de jogador que prefere tocar a bola de lado, manter a posse e não se expor. Faz o tiki-taka com excelência.

Para quem roda ciclo urbano, o silêncio do modo elétrico, a posição de dirigir e o bom isolamento acústico ajudam a criar uma experiência muito agradável. O conforto na cabine, de fato, é um dos pontos altos do Jetour S06.

A autonomia elétrica real é outro dos destaques. Durante nossa avaliação, o S06 alcançou 98 km rodando apenas com eletricidade, resultado muito interessante para um híbrido plug-in de 1,8 tonelada. E um adendo: o alcance declarado pelo Inmetro é de 70 km.

Quando passou a trabalhar primariamente com o motor a combustão, o consumo em ciclo misto ficou em 15 km/l. Já a média combinada, com bateria em uso, chegou a 36 km/l. Nesse fundamento, o Jetour S06 pode até não fazer firula, mas entrega o resultado.

O problema aparece, conforme mencionamos anteriormente, quando o jogo fica mais corrido. Na estrada, acelerações e retomadas não fazem jus ao número declarado de 0 a 100 km/h nem à força combinada do conjunto. Falta aquela resposta imediata para ultrapassagens mais decididas. É como uma seleção que tem nomes rápidos no elenco, mas demora a encaixar um contra-ataque.

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Em curvas mais acentuadas, o SUV também mostra seus limites. A carroceria sai de frente com alguma vontade, e a direção pouco conectada, anestesiada, não ajuda o motorista a entender exatamente o que acontece no contato dos pneus com o asfalto. O modelo tem comportamento mais feliz quando o jogo está controlado do que quando precisa improvisar durante uma prorrogação em mata-mata.

A resposta do pedal de freio poderia ser melhor calibrada, pois exige mais pressão do que o esperado em algumas situações. Em um carro familiar, pesado e com proposta de uso rodoviário, esse detalhe pesa. Não é falta grave, mas é aquele lance em que o goleiro espalma para o meio da área e torce para que nenhum adversário esteja no rebote.

Interior e equipamentos

Por dentro, o S06 Premium tem bons argumentos. A central multimídia de 15,6 polegadas é bonita, rápida e tem boa definição. O sistema é, definitivamente, um dos pontos positivos do carro.

Os comandos de voz, contudo, são muito limitados. Isso sem contar soluções típicas de alguns carros chineses que seguem mais complicadas do que deveriam. O ajuste dos retrovisores externos, por exemplo, é feito pela central multimídia e depois controlado pelo volante.

Outro detalhe chato está no teto solar panorâmico. Para abrir a cortina e o vidro, é preciso aplicar pressão mais de uma vez nos comandos. Não é um drama, mas incomoda no uso cotidiano.

Em compensação, os bancos são um belo acerto. O ajuste elétrico é amplo, a posição de dirigir agrada e a lombar não fica prejudicada em viagens longas. Nesse ponto, o S06 entende bem a importância de poupar o jogador para além do tempo regulamentar.

A cabine, vale destacar, é ampla, acomoda bem quatro adultos e transmite uma sensação de sofisticação acima do mero “SUV racional”. Há bom uso de materiais, desenho limpo no painel e uma atmosfera mais refinada, especialmente pela combinação entre bancos, luz ambiente, tela grande e teto panorâmico. É um habitáculo agradável, bem resolvido e elegante.

A lista de equipamentos, bom destacar, também é generosa. Há rodas de 20 polegadas, ar-condicionado automático de duas zonas, carregador por indução de 50 W, sistema de som assinado pela Sony, bancos dianteiros aquecidos e ventilados, luz ambiente, teto solar panorâmico, assistentes de condução, câmera de ótima resolução, faróis full LED e pacote completo de segurança ativa. Onde o S06 perde pontos é no porta-malas. São 416 litros, volume apenas razoável para um SUV de 4,62 metros de comprimento, 1,91 m de largura e 2,72 m de entre-eixos. O número até que não faz feio ante Leapmotor C10 REEV (435 l) e Geely EX5 EM-i (428 l). No entanto, bate pênalti na lua feito Roberto Baggio em 1994 em comparação com BYD Song Plus (552 l) e GWM Haval H6 (560 l).

Conclusão

O Jetour S06 Premium é um SUV econômico, confortável e mais afeito ao ciclo urbano. Tropeça em dinâmica, comandos pouco intuitivos e em um porta-malas que poderia ser maior.

Ainda assim, seria injusto tratar o S06 como um atleta sem função no elenco. O SUV entrega conforto, boa lista de equipamentos, acabamento agradável, autonomia elétrica real convincente e consumo interessante para seu porte. Em suma, o Jetour convence mais quando joga simples.

Não à toa, quem procura um SUV híbrido plug-in confortável, bem equipado, econômico e racional para o uso diário pode ver no S06 uma opção de bom custo-benefício. Na Copa dos SUVs eletrificados, representa aquele jogador combativo ou aquela seleção organizada, disciplinada, que entende suas limitações e claramente joga pelo resultado. Para cidade, conforto, pacote e consumo, faz uma campanha consistente. Para quem quer emoção, resposta rápida e estrada sem preguiça, aí falta um pouco de repertório. Um pouco de futebol arte.

Ficha técnica: Jetour S06 Premium

  • Motor a combustão: 1.5 turbo, quatro cilindros, DOHC
  • Potência do motor a combustão: 135 cv
  • Torque do motor a combustão: 20,4 kgfm
  • Potência do motor elétrico: 204 cv
  • Torque do motor elétrico: 31,6 kgfm
  • Potência combinada: 315 cv
  • Torque combinado: 52 kgfm
  • Câmbio: 1-DHT
  • Tração: dianteira
  • Modos de condução: Economy, Comfort e Sport
  • 0 a 100 km/h: 7,8 segundos
  • Velocidade máxima: 180 km/h
  • Capacidade da bateria: 19,43 kWh
  • Potência máxima de recarga em corrente alternada: 6,6 kW
  • Potência máxima de recarga em corrente contínua: 40 kW
  • Consumo de combustível com a bateria descarregada: 14 km/l (ciclo urbano) e 12,6 km/l (ciclo rodoviário)
  • Autonomia em modo elétrico: 70 km
  • Comprimento: 4,61 m
  • Largura: 1,91 m
  • Altura: 1,69 m
  • Distância entre eixos: 2,72 m
  • Vão livre do solo: 188 mm
  • Ângulo de entrada: 20 graus
  • Ângulo de saída: 26 graus
  • Peso em ordem de marcha: 1.807 kg
  • Porta-malas: 416 litros
  • Capacidade do tanque de combustível: 60 litros
  • Rodas: liga leve de 20 polegadas
  • Pneus: 255/45 R20