O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá nesta terça-feira (28) reuniões separadas com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. Os encontros ocorrem em um momento crítico de negociações sobre a guerra na Ucrânia e de crescente divergência entre Washington e o governo israelense sobre os rumos dos conflitos no Oriente Médio.
Encontro com Zelensky: cessar-fogo e defesa aérea
Segundo a Casa Branca, Trump discutirá com Zelensky novas propostas para um cessar-fogo entre Ucrânia e Rússia. A reunião acontece enquanto Estados Unidos e Ucrânia elaboram uma proposta conjunta a ser apresentada a Moscou, após tentativas anteriores terem sido rejeitadas. A Ucrânia enfrenta escassez de mísseis Patriot, usados para interceptar mísseis balísticos russos. Parte dos estoques americanos foi consumida durante o conflito entre Israel e Irã, reduzindo a disponibilidade desse armamento.
Na semana passada, durante uma reunião da Otan, Trump anunciou que pretende conceder à Ucrânia uma licença para produzir localmente esses mísseis, além de compartilhar a tecnologia necessária para ampliar a fabricação das munições. Em paralelo, o Reino Unido anunciou na última segunda-feira (26) que compartilhará com a Ucrânia o sistema de guerra eletrônica "Stone Cloak" (Manto de Pedra), permitindo a produção em larga escala do equipamento. Esse sistema dificulta que drones ucranianos sejam detectados pelas defesas aéreas russas, aumentando as chances de atingir alvos militares e reduzindo perdas no campo de batalha.
Divergências sobre o Oriente Médio
A visita de Netanyahu ocorre em meio a sinais de desgaste na relação entre os dois líderes. Desde que Trump voltou à Casa Branca, eles já se encontraram seis vezes e mantiveram uma aliança próxima. Nos últimos meses, porém, surgiram divergências sobre a condução da guerra contra o Irã e sobre a estratégia americana para reduzir as tensões na região. O principal ponto de atrito é a pressão do governo americano para que Israel reduza sua presença militar nas regiões conflagradas. Netanyahu afirma que não pretende retirar as tropas enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado.
Ao mesmo tempo, o governo israelense aprovou a criação de uma força internacional de estabilização na Faixa de Gaza. O plano prevê o envio inicial de cerca de 200 militares de países parceiros para proteger uma zona humanitária em Rafah, no sul do território palestino. Apesar disso, Israel diz que continuará mantendo tropas na região. A guerra em Gaza já se estende desde outubro de 2023, quando o Hamas atacou o sul de Israel, e as negociações por um cessar-fogo seguem sem acordo definitivo.
Irã e programa nuclear na pauta
Outro tema da reunião com Netanyahu será o Irã. Após a guerra iniciada por Israel e pelos Estados Unidos contra o país, em fevereiro deste ano, Washington e Tel Aviv passaram a divergir sobre a estratégia para impedir que Teerã avance em seu programa nuclear. Enquanto Trump tem defendido uma solução negociada, Netanyahu continua defendendo a manutenção da pressão militar. O baixo estoque de mísseis Patriot também pesou na decisão de Trump de pausar ataques ao Irã, segundo a imprensa americana.
Em paralelo, países europeus e o Japão doaram US$ 1 bilhão para a recuperação de Gaza, mostrando o engajamento internacional na região. Trump reiterou que está pronto para uma ação militar 'mais forte' caso as negociações com o Irã fracassem. Os encontros de hoje na Casa Branca refletem os complexos desafios de política externa que Trump enfrenta, equilibrando alianças históricas com pressões por soluções diplomáticas.



