O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta terça-feira (23) que rotular organizações criminosas como terroristas gera confusão na comunidade internacional e não contribui para desmantelar as facções. A declaração foi feita durante discurso na Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), cuja íntegra foi divulgada pelo Itamaraty.
Críticas à classificação de facções como terroristas
Recentemente, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Mauro Vieira rebateu a medida, afirmando que "é importante não perder de vista a natureza do que enfrentamos: trata-se de estruturas criminosas movidas pelo lucro, que buscam controlar territórios e mercados ilícitos".
"Nesse sentido, devemos resistir à tentação de reclassificá-lo sob rótulos que confundem fenômenos de naturezas distintas. Categorias importadas de outros contextos não contribuem para desmantelar as redes criminosas", completou o chanceler brasileiro.
Cooperação bilateral com os EUA
Em declarações públicas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia sinalizado que o Brasil está disposto a aceitar ajuda dos Estados Unidos para combater as organizações criminosas, mas somente em nível de cooperação bilateral. Segundo o próprio presidente, o governo brasileiro entregou ao presidente Donald Trump propostas de parcerias entre os dois países para combater o crime organizado.
Crime organizado "não respeita fronteiras"
Em seu discurso na OEA, Mauro Vieira afirmou que o crime organizado "não respeita fronteiras" e tem se revelado "um dos problemas mais graves a afetar as diferentes regiões" do continente. "O governo brasileiro confere a mais alta prioridade ao combate ao crime organizado. Qualquer esforço nacional só será eficaz, contudo, se for acompanhado de cooperação entre todos os Estados membros", afirmou o ministro.
"É fundamental aprofundarmos a coordenação e o diálogo permanente entre nossas polícias e serviços de inteligência e a assistência jurídica mútua", completou o chanceler.
Rótulos limitam intercâmbio de inteligência
Mauro Vieira disse ainda que atribuir termos diferentes a organizações criminosas "limita" o que ele chamou de "intercâmbio de inteligência" entre os países e, ainda, pode "converter-se em pretexto para respostas que ignoram fronteiras, jurisdições e a igualdade soberana das nações".



