Lula e Xi Jinping discutem parceria e acordo Mercosul-China
Lula e Xi discutem parceria e acordo Mercosul-China

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone na noite de domingo (26) com o presidente da China, Xi Jinping, em uma ligação que durou mais de uma hora. Segundo o Palácio do Planalto, os dois líderes discutiram o aprofundamento da parceria entre os países, defenderam o avanço das negociações para um acordo entre o Mercosul e a China e trocaram avaliações sobre os principais temas da agenda internacional.

Cooperação em alta tecnologia e áreas estratégicas

Durante o telefonema, os líderes trataram da implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países. Ambos reiteraram o propósito compartilhado de ampliar a cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes, conforme nota oficial. Lula também destacou o compromisso do governo brasileiro com a diversificação de mercados e parceiros comerciais, buscando reduzir dependências e ampliar o leque de relações econômicas.

Aceleração das negociações Mercosul-China

Os presidentes concordaram sobre a importância de acelerar as negociações para um acordo entre o Mercosul e a China, desde que sejam observadas as flexibilidades necessárias. “Lula e Xi também destacaram os bons resultados do comércio bilateral, bem como o impacto positivo das jornadas culturais em curso este ano nos dois países e do acordo para isenção de vistos de curta duração. Essas iniciativas vão ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio”, afirmou a nota. O comércio bilateral entre Brasil e China atingiu recordes nos últimos anos, com a China sendo o principal parceiro comercial do Brasil desde 2009.

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Preocupações com conflitos globais

Na pauta internacional, Lula e Xi manifestaram preocupação com a escalada dos conflitos ao redor do mundo e seus impactos sobre a segurança alimentar e energética. Ao tratar do Oriente Médio, demonstraram preocupação com a situação humanitária em Gaza e avaliaram que as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb afetam a economia mundial. Em relação à guerra na Ucrânia, defenderam que o Grupo de Amigos da Paz pode contribuir para a retomada das negociações.

Críticas ao Conselho de Segurança da ONU

Segundo o Planalto, os dois líderes também criticaram a dificuldade do Conselho de Segurança da ONU em responder às crises internacionais e reiteraram o compromisso de Brasil e China com o fortalecimento do multilateralismo. Eles concordaram em manter coordenação estreita sobre esses temas na ONU, no Brics e em outros fóruns internacionais. O Brasil busca uma reforma do Conselho de Segurança, defendendo a ampliação do número de membros permanentes, incluindo um assento para o país.

Contexto: tarifas dos EUA

O contato ocorre três dias após os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial do Brasil, anunciar mais uma tarifa (12,5%) a produtos brasileiros. Também do domingo, o presidente Lula classificou como ”erro estratégico“ as tarifas impostas pelos EUA e afirmou que o Brasil irá buscar alternativas para ampliar investimentos e parcerias econômicas. A ligação com Xi Jinping sinaliza uma intensificação das relações com a China como contraponto às tensões comerciais com Washington.

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