Paraguai e Argentina travam acordo Mercosul-China, diz especialista
Paraguai e Argentina travam acordo Mercosul-China

Obstáculos diplomáticos no caminho do acordo Mercosul-China

O avanço das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China enfrenta sérios entraves políticos, especialmente por parte do Paraguai e da Argentina. Segundo Roberto Dumas, especialista em economia chinesa, a postura de ambos os países pode impedir a aceleração das tratativas, mesmo em um cenário geopolítico global favorável ao fortalecimento de laços com Pequim.

Paraguai e a questão de Taiwan

O Paraguai mantém reconhecimento diplomático de Taiwan como país independente, uma posição que contraria diretamente a política de "uma só China" defendida pelo governo chinês. Para a China, qualquer nação que reconheça Taiwan representa um obstáculo sério para relações bilaterais plenas. Dumas explica que "o Paraguai é um ponto sensível porque Pequim exige o rompimento com Taipei como pré-condição para acordos comerciais robustos". Enquanto Assunção não mudar sua posição, o Mercosul terá dificuldades para apresentar uma frente unificada nas negociações com a China.

Argentina sob influência de Trump e tensões recentes

Já a Argentina, que historicamente manteve boas relações com a China, vive um momento de incerteza. A possível volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e as recentes tensões diplomáticas entre Buenos Aires e Pequim adicionam camadas de complexidade. Dumas ressalta que "a Argentina pode ficar entre dois fogos: de um lado, a necessidade de investimentos chineses; de outro, a pressão dos EUA para alinhamento geopolítico". Essa dualidade pode travar avanços concretos no acordo do Mercosul com a China.

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Impactos para o bloco sul-americano

O Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela (suspensa), busca há anos ampliar seu comércio com a China, principal parceiro comercial de vários de seus membros. Um acordo abrangente poderia reduzir barreiras tarifárias e aumentar investimentos chineses na região. No entanto, as divergências internas ameaçam esse objetivo. "Sem consenso entre os sócios, o Mercosul perde credibilidade como bloco negociador", alerta o especialista.

Cenário geopolítico favorável, mas não suficiente

Embora o contexto internacional atual — com a China buscando alternativas ao domínio americano e os países sul-americanos carentes de investimentos — seja propício, as barreiras políticas internas do Mercosul podem atrasar qualquer acordo. Dumas conclui: "O timing é bom, mas a vontade política dos governos do Paraguai e da Argentina será decisiva para transformar o potencial em realidade". O Brasil, como maior economia do bloco, terá papel crucial na mediação dessas divergências.

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