O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou o embaixador da Argentina, Daniel Scioli, para uma reunião na tarde desta segunda-feira, em Brasília. A medida foi tomada após declarações do presidente argentino, Javier Milei, que questionou a lisura das eleições brasileiras previstas para 2026. Em entrevista a uma rádio de Buenos Aires, Milei afirmou que "não há garantias de transparência no sistema eleitoral brasileiro", sem apresentar evidências.
Reunião na sede do Itamaraty
O encontro ocorreu no Palácio do Itamaraty, com a presença do secretário de Assuntos da América Latina, embaixador Gisela Padovan. Segundo a nota oficial divulgada pelo ministério, o governo brasileiro manifestou "grave preocupação" com as falas de Milei, consideradas uma interferência inaceitável em assuntos internos do Brasil. A convocação de um embaixador é um dos instrumentos mais fortes da diplomacia, usada para demonstrar descontentamento formal.
Impacto nas relações bilaterais
A crise diplomática ocorre em um momento delicado para as relações entre Brasil e Argentina, que são parceiros estratégicos no Mercosul. Analistas apontam que as declarações de Milei podem prejudicar a cooperação comercial e política entre os dois países. O Itamaraty informou que aguarda um posicionamento oficial do governo argentino sobre o ocorrido. Até o momento, a Casa Rosada não comentou a convocação.
Antecedentes
Não é a primeira vez que Milei faz críticas ao Brasil. Em campanha eleitoral, o presidente argentino já havia chamado o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de "comunista" e ameaçou bloquear o ingresso do Brasil em acordos comerciais internacionais. No entanto, desde que assumiu o cargo em 2023, Milei havia mantido um tom mais moderado em relação ao Brasil.



