A seleção brasileira enfrenta a Escócia nesta quarta-feira (24) pela fase de grupos da Copa do Mundo. O país adversário, integrante do Grupo C, guarda curiosidades que vão do unicórnio como símbolo nacional a uma possível origem do futebol no Brasil.
Unicórnio como símbolo nacional
Enquanto outras nações usam leões, ursos e animais reais em seus brasões, a Escócia adotou o unicórnio. O animal mitológico é o símbolo nacional desde a Idade Média e aparece em brasões, monumentos e edifícios históricos. Segundo Nichola Giovanella Vivian, criadora do projeto Palavra Escocesa, a escolha está ligada à mitologia celta. "O unicórnio representa pureza, inocência e poder na mitologia celta. Eles são orgulhosos e independentes, conhecidos por serem difíceis de domar, algo com que a Escócia se identifica", explica.
A influenciadora Angela Sant Anna, que mora no Reino Unido e atuou como guia turística na Escócia, acrescenta que o animal simboliza coragem e força. "[Para os escoceses], ele é o único animal capaz de derrotar o leão, o símbolo da Inglaterra", afirma.
O futebol brasileiro é escocês?
A história oficial aponta Charles Miller como introdutor do futebol no Brasil, em São Paulo. No entanto, o bairro e o time de Bangu, no Rio de Janeiro, defendem que o escocês Thomas Donohoe trouxe o esporte antes. Donohoe trabalhava na Fábrica de Bangu e, segundo moradores, foi o primeiro a jogar bola no país. Cartas enviadas à esposa mencionam uma bola de futebol e sua chegada ao Brasil antes de Miller. A discussão levou historiadores a destacar a importância do escocês na introdução do esporte entre trabalhadores brasileiros.
Muito além do "inglês com sotaque" e "saias para homens"
"Muitas vezes, as pessoas esperam que os escoceses falem especificamente em inglês e com um sotaque mais londrino", afirma Nichola. Na verdade, a Escócia tem três idiomas predominantes: inglês, escocês e gaélico escocês, com variações linguísticas regionais. A relação com a natureza é forte: montanhas, lagos e as Terras Altas aparecem em músicas e tradições. Canções frequentemente falam de saudade da terra natal, refletindo a migração histórica.
Nem a paisagem corresponde aos clichês. Apesar da fama de país frio e montanhoso, a Escócia tem praias de areia clara e mar azul-turquesa. "Muita gente pensa que a Escócia é sempre gelada e cheia de lugares inóspitos, mas também existem regiões que parecem o Caribe", afirma Angela. A diferença é que a água permanece gelada na maior parte do ano.
Quanto ao "homem de saia", a vestimenta chama-se kilt, peça tradicional associada aos clãs escoceses. "A peça possui padrões chamados tartãs, que historicamente representam um determinado clã", explica Nichola.
Castelos assombrados e uísque
A Escócia é conhecida por seus castelos históricos, muitos associados a lendas e fantasmas. "A Escócia possui muitos castelos, alguns datados do século XI. Em vários deles aconteceram batalhas, o que ajuda a fomentar lendas em volta deles", diz Nichola. Relatos de aparições, sons de espadas e choros misteriosos criaram histórias que atravessam gerações. O sobrenatural movimenta o turismo local com passeios guiados por castelos e cemitérios.
Outro elemento inseparável da identidade escocesa é o uísque. Segundo Nichola, a bebida surgiu como adaptação dos métodos de destilação europeus. "Quando o método de destilação se popularizou na Europa, os escoceses não tinham acesso a uvas, então adaptaram o processo para ser feito com grãos", explica. "Uísque vem do gaélico 'uisge beatha', que significa 'água da vida'." O tradicional uísque escocês segue regras específicas de produção e é símbolo cultural e econômico. Angela lembra que a produção passou por forte taxação, transformando o uísque em símbolo de resistência.



