De demissão a negócio de R$ 2 milhões: recarga de canetas para escolas
Negócio de R$ 2 milhões com recarga de canetas escolares

O que começou como uma tentativa de reduzir custos com materiais para quadro branco em escolas se transformou em um negócio que fatura cerca de R$ 2 milhões por ano. Após perder o emprego, o mineiro Cássio Braga investiu na recarga de canetas para quadros brancos e fundou a Pincel Raro, empresa que hoje fabrica tintas, pincéis, apagadores e outros produtos para o setor educacional.

Ideia surgiu de sugestão em visita a colégio

A ideia nasceu quando Cássio ainda trabalhava com recarga de cartuchos para impressoras. Durante visitas frequentes a uma escola, um funcionário comentou sobre o aumento dos gastos com a substituição dos quadros de giz pelos quadros brancos e sugeriu que ele tentasse recarregar os pincéis. "A ideia partiu dele. O custo da escola subiu muito com a troca dos quadros. Ele me perguntou se eu não conseguiria recarregar o pincel. Fiz os testes, busquei uma tinta compatível e daí começou tudo", relembra o empreendedor.

Mesmo identificando a oportunidade, Cássio manteve o negócio em segundo plano enquanto estava empregado. A virada ocorreu quando a empresa onde trabalhava encerrou as atividades. "Essa empresa fechou e eu resolvi apostar de vez no negócio. Um fornecedor me emprestou R$ 7 mil e, com esse dinheiro, aluguei uma sala, comprei os equipamentos e comecei o empreendimento", conta.

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Estratégia inicial e impacto da pandemia

No início, a estratégia era simples: visitar escolas, apresentar a economia gerada pela recarga e conquistar clientes porta a porta. "Quando você chega com uma solução que reduz custos e ainda contribui com o meio ambiente, as portas se abrem naturalmente", afirma Cássio. O negócio crescia até a pandemia, quando o faturamento despencou com escolas fechadas. O período, no entanto, impulsionou a reinvenção: Cássio passou a fabricar sua própria tinta atóxica e investiu nas vendas online. "A gente recomeçou praticamente do zero, dentro da minha casa. Depois começamos a vender nos marketplaces, e isso deu um boom para a empresa voltar a faturar", diz.

Produção atual e expansão internacional

Hoje, a fábrica ocupa uma área de aproximadamente 700 metros quadrados e produz cerca de 5 toneladas de tinta atóxica e 5 mil canetas por mês. O portfólio inclui pincéis recarregáveis, apagadores e materiais de limpeza para quadros brancos. A empresa também fabrica as próprias caixas de papelão para reduzir custos logísticos. Segundo Cássio, sustentabilidade e economia andam juntas: "Em vez de comprar um produto novo, conseguimos reaproveitar os pincéis que seriam descartados. Reciclamos esse material e devolvemos para a instituição por um custo bem menor".

A gestão financeira e o marketing ficam a cargo da esposa e sócia, Franciana Leão. Cerca de 75% a 80% das vendas ocorrem por marketplaces e distribuidores, e a marca já comercializa para todo o Brasil. Neste ano, o casal comemorou a conquista de novos mercados: "Acabei de receber o e-mail. Vamos começar a fornecer nossos produtos para a Argentina e para o Chile", anunciou Franciana.

Planos futuros

Apesar do crescimento, os planos não param. A próxima meta é automatizar parte da produção e ampliar a presença da marca. "Meu sonho é crescer cada dia mais e levar a nossa marca para todo lugar. Ainda tem muita gente que não conhece esse tipo de negócio e não sabe que pode reduzir custos reciclando os pincéis", conclui Cássio.

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