A SpaceX, empresa de foguetes de Elon Musk, realizará um novo voo de teste da Starship, a nave mais poderosa do mundo, nesta quinta-feira, 16 de janeiro, às 19h45 no horário de Brasília. O lançamento será o 13º da Starship, projetada para futuras missões à Lua e Marte. Não haverá passageiros a bordo, e o cronograma pode ser alterado por falhas técnicas ou condições climáticas, como já ocorreu em oportunidades anteriores. O teste será conduzido a partir da Starbase, no Texas, com duração prevista de 1h30.
Antecedentes: explosão em maio
O último lançamento da Starship ocorreu em maio e terminou com a queda do propulsor Super Heavy no Golfo do México, que deveria ter feito um pouso controlado. Ninguém ficou ferido. A SpaceX atribuiu o incidente a problemas de acionamento em 5 dos 33 motores do Super Heavy, o que interrompeu a manobra de retorno antes do previsto. Após o acidente, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) suspendeu temporariamente os voos até a conclusão das investigações. O órgão encerrou a análise na segunda-feira, 13, liberando o novo teste.
Objetivos da missão desta quinta
Os objetivos da SpaceX para o novo lançamento são semelhantes aos do teste de maio, quando estreou a terceira geração da Starship e do Super Heavy. O plano inclui: lançar o veículo; concluir a separação dos estágios 1 (propulsor) e 2 (espaçonave) cerca de 2 minutos após o início do voo; e realizar uma descida controlada de ambos os estágios na água — o propulsor Super Heavy deve descer no Golfo do México, sem uso de plataforma de pouso, diferentemente de testes anteriores. Com isso, a empresa busca demonstrar o funcionamento das novas peças da nave, projetada para missões de maior duração.
Outro objetivo é lançar no espaço dois satélites do serviço de internet Starlink, também de Musk. A nave tentará pela primeira vez liberar 20 unidades da terceira geração de satélites Starlink. No teste anterior, 22 peças que simulavam satélites foram enviadas ao espaço. Na missão desta quinta, haverá a tentativa de conectar esses satélites com a rede já em operação no espaço. No entanto, eles serão destruídos na reentrada atmosférica, cerca de 20 minutos após deixarem a nave.
Alterações técnicas e soluções
Para evitar novos problemas, a SpaceX implementou mudanças na estrutura e no sistema do propulsor. A configuração de partida dos motores foi ajustada para tornar as mudanças de direção do veículo mais estáveis. O estágio superior também recebeu alterações em seu sistema de propulsão: apesar de ter concluído o voo anterior, a cápsula perdeu um de seus três motores logo após se separar do propulsor, o que exigiu correções. A SpaceX testará ainda o escudo térmico da Starship, essencial para proteger a nave durante a reentrada na atmosfera. Segundo a empresa, o foco é avançar em um projeto de reutilização rápida da nave.
Histórico de testes e importância para a Nasa
Os voos teste da Starship acontecem desde abril de 2023. Em alguns, houve recuperação do propulsor Super Heavy em uma plataforma; outros foram marcados por explosões que levaram ao desvio de voos e interrupção de operações em aeroportos nos Estados Unidos. O desenvolvimento da Starship é acompanhado de perto pela Agência Aeroespacial dos Estados Unidos (Nasa), que espera contar com o megafoguete para o programa Artemis. A próxima missão, Artemis III, está prevista para 2025, com um teste de módulos de pouso lunar na órbita baixa da Terra. Em novembro, a Nasa anunciou os quatro astronautas que participarão desse voo. Depois virá a Artemis IV, planejada para 2028, para levar humanos de volta ao solo lunar. O veículo também deve ter papel essencial na expansão da constelação de satélites Starlink. Em maio, Elon Musk afirmou que o serviço já conta com 10 mil equipamentos em órbita e planeja lançar outros 10 mil por ano.



