Tarifaço dos EUA coloca Brasil entre países com acesso mais restrito, diz Amcham
Tarifaço dos EUA coloca Brasil entre países com acesso mais restrito

A decisão dos Estados Unidos de impor uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros representa um resultado “muito negativo” para a relação bilateral, na avaliação da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). A medida, que entra em vigor em 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas para acessar o mercado americano, com potencial de afetar duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio.

Superávit comercial dos EUA contrasta com as novas tarifas

“Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos EUA com o Brasil – de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 – e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos americanos”, afirma a Amcham em nota oficial.

O anúncio do novo tarifaço gerou reações em diversos setores. O CEO da Klooks, Alexandre Abu-Jamra, lista cinco pontos de atenção para investidores. O primeiro é a decisão em si, com exceções e impacto efetivo sobre a economia. O segundo é a resposta brasileira: se o governo acionar a Lei de Reciprocidade, a disputa pode se espalhar para o câmbio e a inflação. O terceiro é o canal monetário, já que a alta do dólar tende a elevar o IPCA, dificultando o trabalho do Banco Central com a Selic ainda em patamar elevado.

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Fluxo estrangeiro na B3 e descolamento comercial

O quarto ponto é o fluxo estrangeiro na B3, considerado o termômetro mais rápido do humor do investidor global com o Brasil. “Um dado estrutural que pouca gente acompanha é que a participação dos EUA no comércio exterior brasileiro caiu para 11,2% nos primeiros cinco meses de 2026, o menor patamar da história. O Brasil já vinha se descolando dos EUA antes da tarifa”, afirma Abu-Jamra.

O governo Lula avalia que o impacto macroeconômico da nova rodada de tarifas é irrelevante, segundo apurou o Estadão/Broadcast com fontes oficiais. Ainda não há definição sobre novas medidas de mitigação. A avaliação interna é que as empresas já se adaptaram após a primeira onda de tarifas e que os EUA perderam relevância na corrente de comércio. Nos bastidores, governistas argumentam que o novo tarifaço é pior para os americanos do que para o Brasil.

Empresários pressionam por retaliação

Empresários dos setores afetados, sobretudo o industrial, já definiram sua estratégia de enfrentamento. Defendem que o governo brasileiro retalie as medidas americanas, pedindo a aplicação da lei de reciprocidade. O pleito foi levado ao Ministério das Relações Exteriores, ao MDIC, ao Ministério da Fazenda e à Vice-Presidência da República, segundo relatos ouvidos pelo Broadcast Agro.

Para lideranças empresariais, as negociações bilaterais se esgotaram e as cadeias ficam em desvantagem ante os produtos americanos importados. Um empresário da indústria, sob condição de anonimato, afirmou que a primeira ação deveria ser impor taxação na mesma ordem. “A reciprocidade deve ser adotada apenas em última instância e essa hora chegou, não há mais espaço diplomático”, disse. Parte dos setores defende ainda que o Brasil acione a OMC e prepare uma retaliação escalonada.

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