Serviços da China desaceleram em julho, aponta pesquisa PMI
Serviços da China desaceleram em julho, diz PMI

O ritmo de expansão do setor de serviços da China perdeu fôlego em julho, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira. O índice de gerentes de compras (PMI) do setor, compilado pela Caixin Media e pela S&P Global, recuou de 51,2 em junho para 50,3 em julho, o menor nível desde novembro do ano passado. O número ainda permanece acima da marca de 50, que separa expansão de contração, indicando que o setor continua crescendo, porém em um ritmo mais lento.

Leitura dos dados e contexto econômico

O resultado veio abaixo das expectativas de analistas ouvidos pela Reuters, que projetavam uma leitura de 51,3. A desaceleração foi puxada principalmente pela queda nos novos pedidos, que cresceram no ritmo mais fraco desde setembro de 2023. O emprego no setor também mostrou fraqueza, com o subíndice de contratações caindo para o menor patamar em seis meses.

A pesquisa da Caixin, que foca em pequenas e médias empresas, contrasta com o PMI oficial divulgado pelo governo no fim de julho, que mostrou estabilidade. A divergência sugere que a recuperação econômica da China ainda é desigual, com as grandes empresas estatais se beneficiando mais dos estímulos do governo do que as firmas menores.

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Impacto na economia e perspectivas

Wang Zhe, economista sênior da Caixin Insight Group, afirmou em nota que a desaceleração reflete a fraca demanda doméstica. "A demanda doméstica continua insuficiente, e a confiança das empresas permanece frágil", disse Wang. Ele acrescentou que o governo precisa de mais medidas de estímulo para sustentar o crescimento, especialmente no mercado imobiliário, que segue em crise.

O setor de serviços é um motor crucial para a economia chinesa, respondendo por mais da metade do PIB do país. A desaceleração em julho aumenta a pressão sobre as autoridades para implementar políticas mais agressivas de apoio, após o PIB do segundo trimestre ter crescido 4,7% em relação ao ano anterior, abaixo da meta oficial de cerca de 5%.

Mercados e reações

Os mercados financeiros asiáticos reagiram com cautela aos dados. O índice de ações de Hong Kong operava em leve baixa no início da manhã, enquanto o yuan permanecia estável em relação ao dólar. Analistas do banco Nomura destacaram que a leitura fraca do PMI pode levar o Banco do Povo da China a cortar a taxa de juros na próxima reunião de política monetária, prevista para setembro.

"O PMI de serviços corrobora a visão de que a recuperação da China está perdendo impulso", escreveram analistas do Nomura em relatório. "Esperamos que o banco central reduza a taxa de juros em 10 pontos-base ainda este trimestre para apoiar a atividade econômica."

Comparação com o PMI industrial

Na terça-feira, o PMI industrial da Caixin também mostrou desaceleração, caindo para 49,8 em julho, entrando em território de contração pela primeira vez em 13 meses. A combinação dos dois índices indica que a economia chinesa enfrenta ventos contrários tanto na manufatura quanto nos serviços, elevando o risco de uma desaceleração mais ampla no segundo semestre.

O governo chinês já anunciou uma série de medidas de estímulo, incluindo cortes de juros e flexibilização das regras de compra de imóveis, mas os efeitos ainda não se materializaram plenamente. Economistas alertam que a falta de confiança do consumidor e o alto endividamento das famílias continuam a pesar sobre a demanda.

Perspectivas para o restante do ano

Com a desaceleração em julho, o governo chinês pode ser forçado a revisar suas metas de crescimento para o ano, caso a tendência persista. A maioria dos analistas projeta um crescimento de 4,8% a 5% para 2026, mas os dados recentes sugerem riscos para essas estimativas.

O setor de serviços, que inclui desde turismo até tecnologia, é visto como vital para a transição da China de uma economia baseada em manufatura para uma baseada em consumo. A desaceleração recente destaca a necessidade de reformas estruturais e de políticas que aumentem a renda disponível das famílias.

Enquanto isso, investidores e empresas acompanham de perto os próximos indicadores econômicos, incluindo vendas no varejo e produção industrial, que serão divulgados nas próximas semanas, para avaliar a saúde da segunda maior economia do mundo.

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