Arábia Saudita propõe coalizão para garantir navegação no Mar Vermelho
Sauditas buscam coalizão para proteger navegação no Mar Vermelho

O governo da Arábia Saudita anunciou nesta quarta-feira (29) a proposta de criação de uma coalizão internacional para proteger a navegação no Mar Vermelho, em resposta ao aumento de ataques de rebeldes houthis do Iêmen contra embarcações comerciais. A iniciativa, liderada por Riad, busca reunir países da região e aliados ocidentais para garantir a segurança de uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, por onde transita cerca de 12% do comércio global.

Contexto de ameaças à navegação

Nos últimos meses, os houthis intensificaram os ataques com mísseis e drones contra navios no Mar Vermelho e no Golfo de Aden, em apoio aos palestinos na guerra entre Israel e Hamas. Segundo dados da Organização Marítima Internacional, pelo menos 15 incidentes foram registrados desde janeiro de 2026, resultando em interrupções no tráfego e aumento dos custos de seguro. O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Príncipe Faisal bin Farhan, declarou: "A liberdade de navegação é um direito fundamental e não podemos permitir que grupos armados ponham em risco a economia global. A coalizão terá como missão dissuadir e responder a qualquer agressão".

Detalhes da proposta

A coalizão proposta incluiria forças navais e aéreas de países como Egito, Jordânia, Sudão, Djibuti, além de Estados Unidos, Reino Unido e França. O plano prevê patrulhas conjuntas, escolta de navios mercantes e a criação de um centro de coordenação em Jidá. Fontes diplomáticas indicam que o governo saudita já iniciou consultas com aliados e espera formalizar o acordo nas próximas semanas. O vice-ministro da Defesa, Khalid bin Salman, afirmou: "Não se trata de uma operação ofensiva, mas de defesa. Queremos garantir que o Mar Vermelho continue sendo uma rota segura para o comércio e a energia".

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Impactos econômicos e regionais

A instabilidade no Mar Vermelho já afetou o fluxo de petróleo e gás natural liquefeito, elevando os preços internacionais. O Canal de Suez, que conecta o Mar Vermelho ao Mediterrâneo, viu uma redução de 20% no tráfego de navios nos últimos trimestres, segundo a Autoridade do Canal de Suez. A proposta saudita busca evitar uma crise maior. Além disso, a iniciativa pode reforçar a influência de Riad na região, especialmente após o acordo de paz com os houthis mediado pela ONU em 2025, que não conteve os ataques marítimos.

Reações e desafios

A proposta foi bem recebida por países dependentes do comércio marítimo, mas enfrenta ceticismo de alguns analistas. O Irã, principal apoiador dos houthis, criticou a coalizão como "um ato de agressão contra a soberania do Iêmen". Especialistas apontam que a operação pode se arrastar por anos, dado o arsenal de mísseis anti-navio dos rebeldes. Ainda assim, o governo saudita mantém otimismo. "Temos capacidade tecnológica e apoio internacional para proteger nossas águas", concluiu o ministro Faisal bin Farhan.

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