O candidato presidencial argentino Javier Milei cometeu um novo deslize em um comício na província de Córdoba, ao confundir o nome de um importante economista local. O erro, rapidamente viralizado nas redes sociais, foi classificado como um 'papelão' pela imprensa local. No entanto, analistas políticos e econômicos consultados pelo Valor avaliam que o impacto eleitoral do episódio deve ser inferior às preocupações geradas pelo fenômeno climático El Niño, que já afeta a safra agrícola do país.
O deslize de Milei e suas consequências imediatas
Durante um discurso no último sábado, Milei referiu-se ao prêmio Nobel de Economia como 'John Maynard Keynes', quando na verdade pretendia citar o economista argentino Domingo Cavallo. A gafe gerou piadas e críticas, especialmente entre eleitores mais escolarizados. 'Foi um erro bobo, mas que pode reforçar a imagem de que ele não está preparado para governar', disse o cientista político Carlos Fara, da consultoria Fara & Associados. No entanto, pesquisas rápidas realizadas nos dias seguintes indicam que apenas 3% dos eleitores consideram o episódio relevante para sua decisão de voto.
El Niño como fator determinante na economia
Enquanto o deslize de Milei domina as manchetes por algumas horas, o El Niño segue como a maior ameaça à recuperação econômica argentina. O fenômeno climático já causou chuvas excessivas em regiões produtoras de soja e milho, com perdas estimadas em 12% da safra 2025/26. Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário, o Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário pode encolher 2,5% neste ano devido ao clima. 'O El Niño é muito mais preocupante do que qualquer gafe de campanha', afirmou o economista Javier González, do Instituto de Estudos Econômicos. 'A inflação, que já está em 130% ao ano, pode ser pressionada pela alta dos alimentos.'
Impacto eleitoral do clima e da política
A situação econômica deteriorada pelo El Niño pode beneficiar discursos radicais como o de Milei, que promete cortar gastos públicos e dolarizar a economia. No entanto, especialistas ponderam que o eleitorado argentino já está acostumado a crises e erros políticos. 'Os argentinos são resilientes e focam no bolso. Se a economia piorar, o 'papelão' será esquecido', comentou Fara. Pesquisa da consultoria Management & Fit mostra que 58% dos argentinos consideram a economia o principal problema, contra apenas 4% que citam a incompetência dos candidatos.
Números e tendências
O episódio com Milei gerou mais de 500 mil menções no Twitter em 24 horas, mas o engajamento caiu rapidamente. Em contraste, a busca por 'El Niño' e 'preços de alimentos' cresceu 40% no Google Trends na última semana. O governo argentino já anunciou medidas de emergência para agricultores, mas o orçamento limitado pode não cobrir todas as perdas. 'O verdadeiro papelão seria ignorar os efeitos do clima na economia', concluiu González.



