A polícia alemã abateu neste domingo (26) um terrorista que atropelou uma multidão durante as celebrações do orgulho LGBT em Berlim, deixando um morto e 29 feridos. O ataque ocorreu na noite de sábado (25), perto do local da Parada LGBTQIA+ da capital alemã. O autor, identificado como Abdul Rahman Ballout, um alemão de origem libanesa de 21 anos, fugiu a pé com um facão após o atropelamento, mas foi localizado e morto em uma operação policial no dia seguinte.
Vídeo de fidelidade ao Estado Islâmico
Segundo informações do jornal Bild, que cita fontes de segurança, Ballout gravou um vídeo em seu telefone celular no sábado, no qual jura lealdade ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI). Os investigadores encontraram o vídeo durante a análise do aparelho. A Promotoria alemã não comentou o caso até o momento.
Além do vídeo, os agentes encontraram uma capa de facão no veículo usado no atentado, mas a lâmina não foi localizada. A ausência da arma levanta suspeitas de que o terrorista possa tê-la utilizado para ameaçar alguém ou tentar cometer mais atos violentos antes de ser abatido.
Antecedentes criminais e falhas na Justiça
O agressor já era conhecido das autoridades alemãs. Em maio deste ano, Ballout foi condenado a um ano e dez meses de prisão, com suspensão da pena, por "preparação de um ato de violência grave contra a segurança do Estado". A condenação ocorreu após ele tentar se juntar ao EI na Síria, passando pelo Líbano. Naquela ocasião, o tribunal considerou que Ballout havia se distanciado do grupo extremista e levou em conta o tempo que ele já havia passado em prisão provisória na Alemanha (seis meses) e no Líbano (três meses), onde foi condenado por pertencer a uma organização jihadista.
Repercussão e críticas ao sistema judicial
O atentado gerou uma forte onda de críticas ao sistema judicial alemão. Muitos questionam como um indivíduo com histórico de ligações com o EI e condenado por planejar atos violentos contra o Estado estava em liberdade. A decisão de suspender a pena foi considerada branda demais por diversos setores, que apontam falhas na avaliação de risco e na prevenção de ataques terroristas.
O ataque ocorreu em um momento de celebração da comunidade LGBTQIA+ na Alemanha, que realiza anualmente a Parada do Orgulho em Berlim. As autoridades aumentaram a segurança em eventos similares em todo o país, mas o episódio reacendeu o debate sobre a eficácia das medidas antiterrorismo e a necessidade de revisão das penas para crimes de extremismo religioso.
Até o momento, não há informações sobre possíveis cúmplices ou se o ataque foi planejado com auxílio externo. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do atentado.



