A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, foi alvo de vaias durante um ato em memória dos mortos na Segunda Guerra Mundial, realizado nesta terça-feira (23) em Okinawa. Manifestantes contrários ao distanciamento de Tóquio de sua tradicional postura pacifista interromperam o discurso da líder com gritos de ordem.
Manifestação durante cerimônia
O evento recordava o 81º aniversário do fim da Batalha de Okinawa, em 1945, que deixou quase 200 mil japoneses mortos. Segundo emissoras locais de televisão, os manifestantes gritaram palavras como 'Não à guerra!' e 'Protejam o Artigo 9!', em referência à cláusula da Constituição japonesa que renuncia à guerra.
Takaichi discursava quando foi interrompida. Em sua fala, ela declarou: 'Cada vez que reflito sobre o pesar de todos aqueles que pereceram na guerra e a dor das famílias enlutadas, meu coração se enche de profunda tristeza. Com base em nosso compromisso inabalável de jamais repetir a devastação da guerra, o Japão avançou com firmeza por este caminho como uma nação que valoriza acima de tudo a paz.'
Mudanças na política de defesa
Após a derrota na Segunda Guerra Mundial, em 1945, o Japão adotou uma postura pacifista, com seu Exército limitado a operações de defesa. No entanto, nos últimos anos, o país aumentou os gastos militares para aperfeiçoar suas capacidades de 'contra-ataque'. Em abril, o governo japonês flexibilizou as regras sobre a exportação de armas letais, e Takaichi expressou o desejo de revisar a Constituição na questão da defesa.
A primeira-ministra também entrou em conflito com a China no ano passado, ao fazer comentários sobre um eventual apoio militar a Taiwan, caso Pequim inicie uma invasão à ilha democrática que reivindica como parte de seu território.



