Keir Starmer renuncia à liderança do Partido Trabalhista após crise política no Reino Unido
Keir Starmer renuncia à liderança do Partido Trabalhista após crise política no Reino Unido

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou à liderança do Partido Trabalhista nesta segunda-feira, 22, após uma sequência de desgastes políticos que se intensificaram ao longo de seus quase dois anos no poder. Starmer assumiu o governo em 2024, encerrando 14 anos de governos conservadores, mas enfrentou pressões internas e perda de popularidade.

A crise se agravou em fevereiro, após a repercussão dos laços do ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais. Mandelson, nomeado por Starmer em fevereiro do ano anterior, deixou o cargo após sete meses, em meio a investigações. Documentos do Departamento de Justiça dos EUA indicaram que ele teria compartilhado informações confidenciais e recebido recursos financeiros ligados a Epstein.

O episódio levou à renúncia do chefe de gabinete do primeiro-ministro, Morgan McSweeney, que admitiu ter recomendado a nomeação de Mandelson e classificou a decisão como um erro. A controvérsia tornou-se um dos principais focos de desgaste do governo, ampliando a pressão sobre Starmer.

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Na política externa, Starmer enfrentou atritos com o presidente dos EUA, Donald Trump, que criticou a demora do Reino Unido em autorizar o uso de bases militares britânicas por forças americanas em operações contra o Irã. Após pressão, o governo britânico autorizou o uso limitado de instalações estratégicas, incluindo a base de Diego Garcia, para ações defensivas.

Internamente, o governo sofreu um revés nas eleições locais e regionais de maio de 2026, vistas como um teste de popularidade. O resultado indicou desgaste do Partido Trabalhista e ampliou a pressão por resultados econômicos e sociais. O partido de direita radical Reform UK, liderado por Nigel Farage, cresceu nas pesquisas, capitalizando a insatisfação com o governo.

Apesar de negar ao menos cinco vezes qualquer intenção de renunciar, Starmer reconheceu o descontentamento do eleitorado com o ritmo das mudanças. Eleito com ampla maioria parlamentar em 2024, prometeu reduzir o custo de vida e melhorar os serviços públicos, mas a percepção de lentidão na implementação das medidas alimentou críticas internas e externas, culminando em sua renúncia.

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