Os principais países produtores de petróleo do Oriente Médio estão acelerando planos para construir oleodutos e rotas alternativas que contornem o Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo. A movimentação visa reduzir a vulnerabilidade a possíveis bloqueios ou tensões geopolíticas na região.
Planos em andamento
Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque lideram os esforços para diversificar as rotas de exportação de petróleo. A Arábia Saudita já opera o oleoduto Petroline, que conecta os campos de petróleo do leste ao Mar Vermelho, com capacidade de 5 milhões de barris por dia. O país também planeja expandir a capacidade do oleoduto para 7 milhões de barris por dia até 2028.
Os Emirados Árabes Unidos, por sua vez, concluíram o oleoduto Habshan-Fujairah, que contorna o Estreito de Ormuz e transporta petróleo do campo de Habshan até o porto de Fujairah, no Golfo de Omã. O projeto tem capacidade de 1,5 milhão de barris por dia e pode ser expandido para 2 milhões.
Motivações estratégicas
O Estreito de Ormuz, localizado entre Omã e Irã, é responsável por cerca de 20% do tráfego global de petróleo. Tensões recentes entre Irã e potências ocidentais, além de ataques a navios petroleiros, reforçaram a necessidade de rotas alternativas. "A segurança energética é uma prioridade, e a diversificação de rotas reduz riscos de interrupções no fornecimento", disse um analista do setor, citando a Agência Internacional de Energia.
O Iraque também anunciou planos para construir um oleoduto até o porto jordaniano de Aqaba, no Mar Vermelho, com capacidade inicial de 1 milhão de barris por dia. O projeto, orçado em US$ 5 bilhões, enfrenta desafios de financiamento e segurança, mas é visto como crucial para reduzir a dependência do estreito.
Impactos no mercado
A aceleração dos projetos pode alterar a dinâmica do mercado global de petróleo. Estima-se que, se todos os planos forem concluídos, até 10 milhões de barris por dia poderiam ser desviados do Estreito de Ormuz até 2030. Isso representaria uma redução de cerca de 50% do fluxo atual pelo estreito.
Especialistas apontam que a diversificação pode reduzir prêmios de risco no preço do petróleo e aumentar a flexibilidade dos exportadores. No entanto, os projetos exigem investimentos significativos e coordenação política entre os países envolvidos.



