Líder conservador alemão renuncia após ter filho por barriga de aluguel nos EUA
Líder conservador alemão renuncia após filho por barriga de aluguel

O líder dos deputados conservadores alemães, Jens Spahn, renunciou neste sábado (18) após enfrentar críticas dentro do próprio partido por ter tido um filho com seu marido por meio de uma gestação por substituição nos Estados Unidos, prática proibida na Alemanha.

Renúncia e justificativa

“Nos últimos dias, compreendi que minha felicidade pessoal, que consiste em construir uma família com meu marido e me tornar pai, é incompatível com minha função política”, escreveu Spahn, presidente do grupo parlamentar CDU/CSU, do chanceler Friedrich Merz, em uma carta enviada aos colegas de bancada.

A CDU, partido de Spahn e de Merz, se opõe firmemente à gestação por substituição e, durante um congresso realizado em fevereiro, votou pela manutenção da proibição em vigor no país.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Detalhes do caso

Jens Spahn e seu marido tornaram-se pais recentemente graças a uma barriga de aluguel nos Estados Unidos. Segundo o jornal Bild, a gestante estava grávida de quatro meses na época do congresso da CDU.

Neste sábado, o chanceler Friedrich Merz afirmou que a renúncia foi uma decisão “justa e inevitável”. Embora tenha reconhecido o papel de Spahn no retorno da CDU ao poder, Merz declarou que “a credibilidade é o bem mais precioso na política”.

Na sexta-feira, Friedrich Merz já havia indicado que a questão seria discutida futuramente dentro do partido, embora tivesse felicitado o deputado pelo nascimento do filho. O chanceler também afirmou não ver “nenhuma razão” para modificar a legislação alemã sobre a gestação por barriga de aluguel nem para rever a oposição histórica da CDU a essa prática.

Reações e críticas

A revelação do recurso à gestação por substituição, divulgada pela imprensa alemã na quinta-feira (16), provocou imediatamente críticas dentro da CDU. Alguns integrantes do partido pediram sua saída do cargo, enquanto adversários políticos o acusaram de hipocrisia.

Na sexta-feira (17), Spahn tentou inicialmente se defender durante uma entrevista em podcast ao jornal Bild. Ele afirmou que havia vivido “um longo conflito interior”, especialmente sobre a questão da gestação por substituição, antes de decidir recorrer ao procedimento para ter um filho. No entanto, no dia seguinte, reconheceu aos colegas que conciliar sua decisão pessoal com as responsabilidades políticas havia se mostrado mais complicado do que imaginava.

“Encontrar um equilíbrio entre minha decisão pessoal de ter um filho por meio de uma barriga de aluguel e as expectativas compreensíveis associadas ao meu papel como presidente do nosso grupo parlamentar revelou-se mais difícil do que eu havia previsto”, escreveu.

Os partidos de oposição saudaram sua saída.

Acusações de dois pesos e duas medidas

Para Luigi Pantisano, um dos dirigentes do partido de esquerda radical Die Linke, a decisão de Spahn de recorrer a uma barriga de aluguel nos Estados Unidos evidencia mais uma vez uma lógica de “dois pesos e duas medidas”. “A lei continua valendo para as pessoas comuns, mas para os altos responsáveis políticos ela parece valer apenas até o momento em que eles têm dinheiro suficiente para contorná-la no exterior”, declarou ao jornal Rheinische Post.

Diversos dirigentes da CDU haviam pedido que Jens Spahn deixasse o cargo, argumentando que sua situação se tornara insustentável diante da posição clara do partido sobre a gestação por barriga de aluguel. Entre eles, o presidente regional da CDU em Mecklenburg-Pomerânia Ocidental classificou na sexta-feira as escolhas de Spahn como “absolutamente inaceitáveis”.

Aos 46 anos, Jens Spahn foi ministro da Saúde durante a pandemia de Covid-19 no governo de Angela Merkel. Nos últimos anos, consolidou-se como uma das principais figuras da ala direita da CDU, defendendo, entre outras propostas, uma política mais dura em matéria de imigração.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar