A venezuelana Francelis Guerra, que mora em São José dos Campos (SP), assistia ao jogo do Brasil na noite de quarta-feira (24) quando recebeu uma ligação da mãe, que vive em Caracas. Do outro lado da linha, ela relatava o desespero com os terremotos que atingiam a Venezuela.
"Minha mãe mora em Caracas. Eu tinha acabado de desligar [um telefonema dela] e, cinco minutos depois, ela me ligou de novo, muito assustada, falando que estava tremendo tudo", contou Francelis.
Dois terremotos em menos de um minuto
Em menos de um minuto, dois terremotos de magnitudes 7,5 e 7,2 sacudiram o país, deixando pelo menos 164 mortos e 971 feridos. Os abalos são considerados os mais fortes a atingir a Venezuela em 100 anos, segundo autoridades locais.
Apesar do susto, a família de Francelis não teve prejuízos mais graves, mas a casa onde a mãe mora ficou com rachaduras após os tremores. "A cidade ficou com muitos danos, tem muitos prédios desabados, muita gente precisando de ajuda e muita gente desaparecida", relatou.
Epicentro próximo a Caracas
Segundo informações oficiais, o epicentro do principal terremoto foi registrado a cerca de 160 quilômetros de Caracas. Prédios e casas desabaram em diferentes regiões do país, e mais de 500 equipes de emergência foram mobilizadas para buscas por sobreviventes entre os escombros.
Francelis vive no interior de São Paulo desde 2017 e acompanha à distância a situação da família na capital venezuelana. Em São José dos Campos, outros venezuelanos também acompanham a situação com preocupação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 181 venezuelanos viviam na cidade conforme o Censo de 2022.
"Então a gente fica com o coração apertado, porque não tem muito que a gente possa fazer. De longe, é uma impotência muito grande", desabafou Francelis.



