Mais da metade dos deputados democratas na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos votou a favor de cortar a ajuda militar a Israel, em um sinal de crescente divisão no partido sobre o conflito em Gaza. A votação, ocorrida nesta quinta-feira, aprovou uma emenda que proíbe o uso de fundos americanos para operações militares israelenses em Gaza, por 215 votos a 211.
Detalhes da votação
Dos 213 democratas presentes, 112 votaram a favor do corte, enquanto 101 votaram contra. Entre os republicanos, apenas 3 apoiaram a medida, e 206 votaram contra. A emenda foi apresentada pela deputada progressista Alexandria Ocasio-Cortez (D-NY) e faz parte de um projeto de lei de gastos militares.
"O povo americano não pode continuar financiando a destruição de Gaza e a morte de milhares de civis inocentes", disse Ocasio-Cortez em discurso no plenário. "Esta emenda é um passo para garantir que nossa ajuda externa esteja alinhada com nossos valores."
Reações e impacto
A aprovação da emenda é simbólica, pois o projeto de lei ainda precisa ser aprovado pelo Senado, controlado pelos democratas, e sancionado pelo presidente Joe Biden, que já ameaçou vetar a medida. No entanto, o resultado mostra uma mudança significativa no partido: em votação semelhante em 2023, apenas 18 democratas apoiaram o corte.
"Esta votação reflete a frustração de muitos americanos com a conduta de Israel em Gaza", afirmou o deputado Jamaal Bowman (D-NY), um dos coautores da emenda. "Não podemos ignorar o sofrimento humano."
Por outro lado, a liderança democrata na Câmara se opôs à medida. O líder da maioria, Steny Hoyer (D-MD), disse que "cortar a ajuda a Israel enfraquece um aliado vital e prejudica a segurança nacional dos EUA".
Contexto da guerra em Gaza
O conflito em Gaza começou em outubro de 2023, após ataques do Hamas a Israel que mataram cerca de 1.200 pessoas. Desde então, a ofensiva israelense já causou mais de 38 mil mortes palestinas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. A ajuda militar dos EUA a Israel é de cerca de US$ 3,8 bilhões anuais, e o governo Biden solicitou US$ 14 bilhões adicionais em 2023.
A votação ocorre em meio a protestos pró-palestinos nos EUA e críticas internacionais à conduta de Israel. A Corte Internacional de Justiça (CIJ) considerou a ocupação israelense de territórios palestinos como ilegal, e o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra líderes do Hamas e de Israel.



