O Geiseltalsee, maior lago artificial da Alemanha, surgiu da inundação de uma antiga mina de linhito (carvão marrom) e hoje é um dos destinos de mergulho mais curiosos da Europa. Localizado na Saxônia-Anhalt, o lago cobre estradas, estruturas industriais e uma floresta submersa, com árvores que cresceram sobre a mina desativada e permanecem debaixo d'água a até 80 metros de profundidade.
De mina a lago: a transformação do Geiseltalsee
A região era uma mina de linhito a céu aberto, operada por décadas até ser desativada. Entre 2003 e 2011, o governo local promoveu a inundação controlada da cava, criando o maior lago artificial do país. O processo de enchimento utilizou águas subterrâneas e do rio Saale, resultando em um corpo d'água com cerca de 18,4 km² de área e profundidade máxima de 78 metros.
Floresta submersa e vida aquática
Antes da inundação, a área foi parcialmente reflorestada com espécies nativas, como pinheiros e bétulas, que hoje formam uma paisagem submersa única. As árvores mortas, juntamente com vestígios de estradas e fundações de equipamentos de mineração, criam um habitat para peixes e outras espécies aquáticas. Em 2023, o lago recebeu o prêmio de "Lago Vivo do Ano", concedido pela Associação Alemã de Limnologia, em reconhecimento à sua qualidade ecológica e recuperação ambiental.
Destino de mergulho e turismo
O Geiseltalsee atrai mergulhadores do mundo inteiro, interessados em explorar a floresta submersa e as ruínas industriais. A visibilidade subaquática pode chegar a 10 metros, e o local oferece cursos de mergulho, passeios de barco e trilhas ao redor do lago. "É como nadar em um museu natural, onde a história da mineração se encontra com a natureza", afirma Stefan Müller, guia de mergulho local. O lago também é usado para recreação, como natação, vela e pesca, movimentando o turismo regional.
Impacto ambiental e recuperação
A transformação da mina em lago é considerada um exemplo bem-sucedido de recuperação de áreas degradadas pela mineração. A qualidade da água é monitorada regularmente, e o ecossistema aquático se desenvolveu de forma equilibrada, abrigando espécies como o lúcio, a perca e o bagre. Cientistas estudam o local como modelo para projetos similares em outras regiões da Alemanha e da Europa.



