EUA retomam bloqueio naval ao Irã e petróleo dispara; Ibovespa cai
EUA retomam bloqueio ao Irã; petróleo dispara e Ibovespa cai

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retomada do bloqueio naval ao Irã, restabelecendo a medida que havia sido suspensa durante negociações anteriores. A nova diretriz inclui a cobrança de uma taxa de 20% sobre todas as cargas que transitarem pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por via marítima.

Petróleo Brent dispara mais de 4% com escalada das tensões

O anúncio provocou uma reação imediata nos mercados de commodities. O petróleo Brent, referência internacional, saltou mais de 4% na manhã desta segunda-feira (13), refletindo o temor de uma interrupção no fluxo de petróleo da região. O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, é um ponto de estrangulamento crítico para o fornecimento global de energia.

Analistas do setor alertam que a medida pode elevar ainda mais os preços dos combustíveis, pressionando a inflação global. "A retomada do bloqueio é um movimento agressivo que pode reduzir significativamente a oferta de petróleo no curto prazo", afirmou um estrategista do banco Goldman Sachs, em nota a clientes.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Ibovespa intensifica perdas e dólar sobe

No mercado acionário brasileiro, o Ibovespa ampliou as perdas na sessão, influenciado pelo aumento da aversão ao risco global. O índice operava em queda superior a 1% por volta do meio-dia, pressionado por ações de empresas ligadas ao setor de petróleo e gás, como Petrobras, que subiam, mas não compensavam as perdas de outros setores.

O dólar comercial também registrou alta, cotado a R$ 5,12, com investidores buscando proteção em ativos considerados seguros. As taxas dos títulos do Tesouro brasileiro (NTN-B) subiram, acompanhando a alta do petróleo e o aumento das projeções de inflação para 2027.

Irã rejeita controle dos EUA e ameaça retaliação militar

O governo iraniano reagiu com veemência ao anúncio. Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Irã declarou que "rejeita qualquer tentativa dos Estados Unidos de controlar o Estreito de Ormuz" e advertiu que "qualquer ação hostil será respondida com retaliação militar". A tensão na região aumentou nas últimas semanas, com ataques entre forças dos dois países.

Especialistas em geopolítica avaliam que a medida pode levar a um confronto direto. "O Irã vê o Estreito de Ormuz como uma questão de soberania nacional. Impor um bloqueio com cobrança de taxas é visto como um ato de guerra", disse um analista do Conselho de Relações Exteriores.

Impacto nos mercados globais e no Brasil

A escalada das tensões entre EUA e Irã já afeta outros mercados. O índice Kospi, da Coreia do Sul, tombou 9% nesta segunda, puxado por ações de semicondutores, setor sensível a choques geopolíticos. A ação da SK Hynix despencou após estrear na Nasdaq, em meio a realizações de lucros.

No Brasil, o Bradesco BBI avalia que a temporada de balanços do segundo trimestre pode reforçar a aposta em uma bolsa brasileira barata, mas o cenário externo adverso pode limitar ganhos. "O aumento do petróleo e a aversão ao risco podem pressionar o real e os juros futuros", destacou relatório do banco.

Recomendações para investidores

Diante do cenário de incerteza, a XP Investimentos mantém otimismo com o PIB brasileiro, mas prevê dólar a R$ 5,00 no curto prazo. Em nota, a corretora recomenda ajustar o portfólio para o segundo semestre, com foco em ativos de renda fixa atrelados à inflação e exposição seletiva a ações de empresas domésticas.

O InfoMoney lançou novos recursos para personalizar a experiência do usuário, incluindo ferramentas de análise de risco geopolítico. A plataforma também oferece calculadoras de renda fixa e dividendos para auxiliar investidores em momentos de volatilidade.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar