EUA perdem espaço na pauta comercial brasileira, aponta Cebri
EUA perdem espaço na pauta comercial brasileira

Os Estados Unidos perderam espaço na pauta comercial brasileira nos últimos 15 anos, de acordo com estudo do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) divulgado nesta sexta-feira. A participação norte-americana nas exportações do Brasil caiu de 18% em 2010 para 11% em 2025, enquanto a China e outros países asiáticos ampliaram sua relevância como destinos das vendas externas brasileiras.

Queda da participação dos EUA

O levantamento do Cebri indica que, em 2010, os Estados Unidos eram o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2025, os EUA caíram para a terceira posição, superados também pela União Europeia como bloco. A fatia de 11% das exportações brasileiras destinadas aos EUA em 2025 representa o menor percentual da série histórica analisada, que começou em 2000.

Segundo o estudo, a perda de espaço dos EUA não se deve apenas ao avanço chinês, mas também à diversificação da pauta exportadora brasileira, que passou a incluir mais produtos manufaturados e semimanufaturados com destino a outros mercados emergentes, como os da América Latina e da África.

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Avanço da China e da Ásia

Em contrapartida, a China consolidou-se como principal destino das exportações brasileiras, respondendo por 32% do total em 2025, ante 15% em 2010. Outros países asiáticos, como Índia, Indonésia e Vietnã, também aumentaram sua participação, que subiu de 8% para 14% no mesmo período.

“A China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, e a tendência é de que essa relação se aprofunde, especialmente com a demanda por commodities agrícolas e minerais”, afirmou o pesquisador do Cebri, José Augusto de Castro, em coletiva de imprensa. Ele destacou que, apesar do crescimento das exportações para a Ásia, o Brasil precisa diversificar ainda mais seus mercados para reduzir a dependência de um único parceiro.

Impactos na balança comercial

A balança comercial brasileira com os Estados Unidos registrou superávit de US$ 12 bilhões em 2025, abaixo dos US$ 18 bilhões de 2010. Com a China, o superávit foi de US$ 45 bilhões em 2025, mais que o dobro dos US$ 20 bilhões de 2010. O estudo do Cebri aponta que a mudança no perfil das exportações reflete também a maior competitividade dos produtos brasileiros no mercado asiático, especialmente soja, minério de ferro e petróleo.

Para o Cebri, a perda de espaço dos EUA na pauta comercial brasileira não deve ser interpretada como um enfraquecimento das relações bilaterais, mas sim como um reflexo das transformações na economia global, com o deslocamento do centro de gravidade econômico para a Ásia. O estudo recomenda que o Brasil busque acordos comerciais com os EUA para recuperar parte do mercado perdido, especialmente em setores de maior valor agregado.

Recomendações do estudo

O documento do Cebri sugere que o governo brasileiro negocie com os Estados Unidos a redução de barreiras tarifárias e não tarifárias, além de promover a integração de cadeias produtivas. “É fundamental que o Brasil tenha uma estratégia clara para se reposicionar no comércio global, aproveitando as oportunidades tanto na Ásia quanto nas Américas”, concluiu Castro.

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