O déficit comercial do Japão em junho foi mais de três vezes maior do que o esperado pelos analistas, atingindo ¥1,4 trilhão (US$ 12,5 bilhões), segundo dados divulgados pelo Ministério das Finanças nesta quinta-feira. O resultado reflete o aumento dos custos de importação de petróleo bruto e gás natural liquefeito, que elevaram a conta de energia do país asiático.
Números superam projeções
Analistas consultados pela Reuters previam um déficit de ¥403 bilhões. O saldo negativo veio bem acima disso, impulsionado por uma alta de 46% nas importações em relação ao mesmo mês de 2025, para ¥9,2 trilhões. As exportações cresceram 19%, para ¥7,8 trilhões, mas não foram suficientes para compensar o avanço das compras externas.
O custo das importações de petróleo bruto saltou 82% na comparação anual, enquanto o de gás natural liquefeito subiu 67%. A desvalorização do iene também contribuiu para encarecer os produtos importados.
Impacto da guerra na Ucrânia e sanções
O Japão, que importa quase toda a sua energia, tem sofrido com a volatilidade dos preços das commodities desde o início da guerra na Ucrânia. As sanções ocidentais à Rússia reduziram a oferta global de petróleo e gás, elevando os preços. Além disso, o governo japonês manteve os subsídios aos combustíveis para conter a inflação, mas o custo fiscal tem aumentado.
O déficit comercial acumulado no primeiro semestre de 2026 alcançou ¥6,3 trilhões, já superando o total de 2025. O Ministério das Finanças destacou que a tendência de alta nos preços de energia deve continuar pressionando a balança comercial nos próximos meses.
Setor automotivo ainda sustenta exportações
Apesar do déficit, as exportações de automóveis cresceram 23% em junho, puxadas pela demanda dos Estados Unidos e da Europa. As vendas de máquinas e equipamentos eletrônicos também avançaram, mas em ritmo menor. O governo espera que a recuperação da economia global ajude a equilibrar as contas externas no segundo semestre.



