Descoberta após décadas de buscas
Os destroços de um avião da Pan Am desaparecido há 74 anos foram finalmente encontrados por exploradores no mar. A descoberta foi anunciada na terça-feira (21). O acidente, que ocorreu após a aeronave decolar de Porto Rico, matou 52 pessoas e mudou as normas de segurança da aviação comercial.
O papel da etiqueta de bagagem
Em 2019, Russ Matthews, presidente da Air/Sea Heritage Foundation, viu uma notícia de jornal sobre uma etiqueta de bagagem do voo que havia aparecido na costa da Flórida. A partir daí, Matthews passou anos analisando arquivos da Pan Am, da Guarda Costeira dos Estados Unidos e relatórios do então Conselho de Aeronáutica Civil, órgão que antecedeu a Administração Federal de Aviação (FAA). A chave para encontrar os destroços estava em registros de uma audiência realizada em Porto Rico sobre o acidente, onde foi encontrado um mapa que estimava o local da queda, elaborado por pilotos da Força Aérea que testemunharam o ocorrido.
O acidente do voo Pan Am 526A
O DC-4 da Pan Am perdeu potência logo após decolar de Porto Rico em 11 de abril de 1952 e fez um pouso forçado no oceano. O voo tinha como destino Nova York e levava 69 pessoas. Os 17 sobreviventes disseram aos investigadores que todos os passageiros e tripulantes sobreviveram ao impacto. O drama começou logo depois, já que muitos passageiros não encontravam os coletes salva-vidas, e a tripulação enfrentava dificuldades para retirar os botes infláveis. Em poucos minutos, a aeronave afundou.
Tecnologia moderna nas buscas
Investigadores acreditam que um dos principais motivos para a demora em encontrar o avião é que a aeronave se partiu em dois pedaços quando afundou no oceano. Uma primeira tentativa de localizar os destroços, em 2024, fracassou por causa do mau tempo. Neste ano, Matthews contou com a ajuda da empresa Deep Sea Vision, especializada em exploração submarina. Em abril, uma embarcação com um drone submarino autônomo equipado com sonar de alta resolução iniciou as buscas. Com base nas pesquisas históricas e em dados meteorológicos, os exploradores delimitaram uma área de cerca de 34 quilômetros quadrados. O drone encontrou os destroços logo na primeira varredura, a cerca de 610 metros de profundidade.
Impacto na segurança da aviação
Segundo o especialista em segurança da aviação John Cox, o acidente se tornou um marco para a indústria. "Este incidente se tornou um catalisador e ajudou a impulsionar avanços na segurança, como melhores equipamentos de flutuação e briefings pré-voo", afirmou em entrevista à Associated Press. "Portanto, este é um passo importante no caminho para o que hoje desfrutamos como segurança da aviação. Foi um grito de guerra na época." Atualmente, antes da decolagem, comissários orientam os passageiros sobre a localização das saídas de emergência e coletes salva-vidas, procedimento que ganhou força após o desastre.
Reação dos pesquisadores
“Estamos todos surpresos e entusiasmados com essa descoberta, mas também nos sentimos humildes ao lembrar o que aconteceu naquele lugar há tanto tempo”, disse Russ Matthews, presidente da Air/Sea Heritage Foundation. O momento da descoberta foi registrado pela equipe do programa "Expedition Unknown", do Discovery Channel. Nas imagens divulgadas, é possível ouvir a reação dos pesquisadores quando a silhueta do avião aparece na tela.
Esperança para outros casos
Além do valor histórico, a descoberta também pode trazer esperança para familiares de vítimas de outros acidentes ocorridos no mar, como o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines, em 2014, que levava 239 pessoas a bordo.



