Antônio Piancó, de 39 anos, trocou a rotina de empresário em Ariquemes (RO) para se tornar voluntário na guerra da Ucrânia. Conhecido pelo codinome "Delta", ele atua como piloto de drone e combatente na linha de frente contra a invasão russa. Em entrevista ao g1, Piancó afirmou que não recebe dinheiro para lutar; pelo contrário, gastou mais de R$ 3,5 mil do próprio bolso para comprar equipamentos e se alistar.
De empresário a voluntário de guerra
Durante seis anos, Piancó comandou um restaurante de comida japonesa em Ariquemes. Sem nunca ter servido ao Exército Brasileiro, ele tinha experiência apenas como atirador esportivo e piloto de drones. Hoje, opera drones nas frentes de combate e participa ativamente dos confrontos. "Não estou aqui por dinheiro. Sinto que estou lutando pelo lado certo. Minha intenção não é matar pessoas, mas sim ajudar os ucranianos a defenderem sua liberdade e sua soberania", explicou.
Apoio da família e planos pós-guerra
Apesar dos riscos, Piancó conta que recebe apoio da família. "No começo ficaram assustados e com um pouco de medo, mas sempre me mandam palavras de incentivo", disse. Por questões de segurança, a localização exata de seu batalhão é mantida em sigilo. Ele afirma não se arrepender da escolha e deixa um recado: "Só venha se você tiver no coração a vontade real de ajudar. Se for por dinheiro, nem tente". Para o futuro, planeja abrir outro restaurante de sushi em João Pessoa (PB). "Eu amo o Brasil e vou voltar, se Deus quiser".
Contexto do conflito
As animosidades entre Ucrânia e Rússia se intensificaram em 2014, com manifestações na praça Maidan que derrubaram o presidente Viktor Yanukovitch. Moscou apoiou separatistas no leste ucraniano e anexou a Crimeia, em um referendo não reconhecido internacionalmente. Desde então, a guerra já causou dezenas de milhares de mortes. Segundo a ONU, ao menos 15.172 civis ucranianos morreram nos primeiros quatro anos de conflito. O presidente Volodymyr Zelensky afirmou em fevereiro de 2026 que 55 mil soldados ucranianos morreram, mas estimativas do CSIS apontam até 140 mil. Do lado russo, a BBC contabiliza pelo menos 160 mil mortos, enquanto o CSIS calcula 325 mil de fevereiro de 2022 a dezembro de 2025. O total de baixas (mortos e feridos, civis e militares) pode chegar a 1,8 milhão ou 2 milhões até março.



